terça-feira, 27 de março de 2012

Cartas de amor para mim mesmo (primeira)


I. Nós não somos a nossa mente

Nós não somos a nossa mente, nem os nossos pensamentos.
A nossa mente existe e é maravilhosa, mas no estado em que nos encontramos é comandada pelo nosso ego que coloca nela todo o tipo de pensamentos que classifica como bons e maus, e esse conceito existe apenas porque o ego quer que ele exista.
Podemos ter os pensamentos que queremos, é a nossa escolha em cada instante.
Nós somos muito para além da nossa mente, muito mais do que a nossa mente possa alcançar, porque a nossa mente pertence ao nosso corpo e à dimensão física e temporal do nosso corpo.
A nossa verdadeira realidade não é a nossa mente. Usamos a nossa mente para o melhor.
Nós não somos os nossos pensamentos.
Em qualquer altura que nos sintamos em sofrimento significa que nos esquecemos de nós mesmos de quem nós realmente somos.
Só existe sofrimento para o ego. Não existe sofrimento para quem nós realmente somos. Só o ego é que sofre. Nós não sofremos. Só o ego julga e qualifica, e é nessa dualidade e conflito que nasce o sofrimento.
O sofrimento significa oposição e conflito e, no final, significa dualidade, opostos, porque ele mesmo nasce da dualidade, muitas vezes pela simples resistência ao que está a acontecer e qualificando esse acontecimento como bom ou mau.
Como pode alguma coisa ser boa ou má? Ela é simplesmente o que é, porque está a acontecer naquele momento, naquele instante.
O sofrimento nasce nesse mesmo instante, quando se decide recusar o que está a acontecer.
Só há sofrimento quando se permite ao ego apoderar-se de nós e do nosso sistema de pensamento e das nossas emoções. Só nesse momento é que há sofrimento. E esse sofrimento pode durar uns segundos, minutos, horas, dias ou meses e até anos, dependendo do grau de identificação com o ego.
Quando se decide aceitar o que está a acontecer, mesmo a própria dor, e a própria identificação com o ego, este perde completamente o poder, porque não está preparado para a aceitação.
A aceitação faz cair por terra, completamente, todos os esquemas e manipulações do ego. A aceitação é como uma comida indigesta ou uma comida venenosa que o ego não pode suportar, porque ele foi gerado na não-aceitação e no conflito.
Os pensamentos, o sistema mental, é uma ínfima parte de quem nós verdadeiramente somos, as capacidades que existem para além da mente são fabulosas e
a paz interior não é um estado mental, mas um estado de quem nós verdadeiramente somos,
sendo, em primeira análise, um estado próximo de um estado mental, englobando este, mas expandindo-se em muito mais, para além da compreensão mental.
A paz interior afeta a mente e faz com que esta esteja silenciosa.
A paz interior é o timoneiro do barco da mente nas águas do corpo.
A paz interior é alcançada quando o ego deixa de usar a mente, e a deixa em paz, quando não existe conflito.
A paz interior está muito para além das palavras, porque as palavras são uma limitação.
A mente, ao serviço do ego, procura tudo rotular e aplicar a dualidade em tudo, porque assim mantém o ego vivo.
Quando se deixa o sistema da dualidade, quando não se julga, não se resiste, não se qualifica, não há oposição, então há uma outra energia que comanda a mente, e que sempre a comandou, mas esquecemo-nos dela, quando nos envolvemos com o sistema de pensamento do ego e a dualidade surgiu.
Mas dentro de nós sempre existiu e sempre existirá essa energia superior a todos os pensamentos de dualidade, basta lembrar-nos dela em qualquer momento, e este lembrar não é um processo mental, mas mais aproximadamente um sentir.
Quando dizemos: - Eu Sou Aquele Que Sou, o sistema de dualidade cessa, porque a unidade, a individualidade, foi invocada.

(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Luz da semana


Que você torne seu poder interior mais forte do que as forças externas. 
Hoje em dia somos influenciados por muitas situações, pelo ambiente ao nosso redor e pela atmosfera do mundo. 
Às vezes, dizemos e fazemos coisas que não queríamos dizer ou fazer, mas sentimos que as situações nos “fizeram fazer”. 
Mais do que culpar a atmosfera, eu posso aumentar meu poder interior até que ele se torne maior do que a força externa das situações. Meu poder interior aumenta sempre que eu volto minha atenção para dentro de forma concentrada. 
(Brahma Kumaris)

sábado, 24 de março de 2012

Luz acesa


Se vos suceder serdes acordados por um barulho durante a noite (o
telefone a tocar, um objeto a cair, uma janela mal fechada que
bate, alguém que bate à porta), não vos precipitais sem mais
nem menos, no escuro, para fazer face à situação.
Instintivamente, a primeira coisa que fazeis é acender a luz
para conseguirdes ver à vossa volta. 
Pois bem, deveis ter este
comportamento prudente em qualquer circunstância da vida.
Sim, seja em que circunstância for, deveis começar por acender
a luz. E acender a luz significa não se precipitar a agir, mas
entrar em si mesmo e pedir ajuda ao Céu para encontrar as
melhores soluções. 
Se não tiverdes esta luz, andareis para um
lado e para outro, batereis a todo o tipo de portas, tentareis
toda a espécie de meios, mas em vão. 
 Nunca esqueçais que o
essencial é saber acender a luz em nós; graças a ela,
evitareis muitos males e perdas de tempo.

 (Omraam Mikhaël Aïvanhov)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Efeito sombra


Sem ser vista e frequentemente ignorada, a alma humana é um lugar de ambiguidade, contradição e paradoxo. 
E é assim que deve ser, porque toda experiência da vida, que é manifestação da alma, é resultado de contraste. 
Você não tem experiência na ausência do contraste: luz e sombra; prazer e dor; acima e abaixo; à frente e para trás; quente e frio. Se não houvesse divisões, não haveria manifestação. A consciência seria um campo vastamente árido, como um deserto. 
Você estaria ciente de tudo, porém, de nada em particular. [...]

O mundo de contrastes é sedutor e dramático. Sem o contraste, será que estaríamos condenados à mesmice eterna? 
Quanto mais forte a luz, maior a sombra. 
Não se trata de algo criado pela humanidade; é o modo como a natureza funciona. 
A alternativa não é praticável. 
Se o universo não tivesse as forças criativas se opondo simultaneamente ao declínio, ou entropia, não haveria universo. [...]  
(Deepak Chopra, Marianne Williamson e Debbie Ford)