quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A casa da gente



A casa da gente é uma metáfora da nossa vida, é a representação exata e fiel do nosso mundo interior. Li essa frase outro dia e achei perfeito.
Poucas coisas traduzem tão bem nosso jeito de ser como nosso jeito de morar.
Tudo pode ser revelador: se deixamos a comida estragar na geladeira, se temos a mania de deixar as janelas sempre fechadas, se há coisas para consertar.
Isso também é estilo de vida.
Há casas em que tudo o que é aparenta está em ordem, mas reina
confusão dentro dos armários. Há casas tão limpas, tão lindas, tão perfeitas que parecem cenários.: faz falta um cheiro de comida e um som vindo lá do quarto.
Há casas escuras. Há casas feias por fora e bonitas por dentro.
Há casas pequenas onde cabem toda a família e os amigos, há casas com lareira que se mantêm frias, há casas prontas para receber visitas e impróprias para receber a vida.
Pode parecer apenas o lugar onde a gente dorme, come e vê televisão, mas nossa casa é muito mais que isso.
É a nossa caverna, o nosso castelo, o esconderijo secreto, onde coabitamos com nossos defeitos e virtudes.

(Martha Medeiros)

Onde estás?



Pai, Antônio, Seu Costa, Toni, Cocói


Se partiste, não sei.
Porque estás,
tanto quanto sempre estiveste.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Pensamentos daqui e dali


As polaridades da vida



Esse é um mundo de polaridades, e elas precisam ser equilibradas. 
Equilibrar consiste em nos mantermos nem muito à direita, nem muito à esquerda, mas bem no centro, conscientes do positivo e do negativo. O caminho para adquirir maestria sobre as energias é permanecermos bem no meio das alegrias e dores da vida, no meio do amor e da raiva, da tristeza e do medo. 
[…]
Nada vem sozinho. A alegria vem junto com a tristeza, assim como cada moeda tem cara e coroa e cada dia, luz e escuridão. Precisamos compreender essas polaridades e saber que elas se pertencem mutuamente, como o ganho e a perda, o prazer e a dor, pertencem à mesma experiência.
Às vezes nos sentimos com raiva ou ciúme, ou cheios de julgamentos; em vez de reagir, precisamos perceber o que acontece como realmente é – uma polaridade – solicitando-nos que a equilibremos. Mova-se, então, para fora dessas vibrações, usando sua percepção consciente. Essa é a dança das polaridades na nossa existência tridimensional, o passaporte para o infinito de nossas possibilidades.
Quando soltamos a necessidade de controlar e não mais tememos a fusão com todas as polaridades, as dolorosas e as alegres, conscientemente nos tornamos cheios de amor. E, quando sintonizados com o poder do amor, quando nos permitimos ser esse amor, isso é a conquista máxima para cada um de nós.
(Robert Happé)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Palavras





Não era de água a sua sede. Queria palavras. Não dessas de uso e abuso mas palavras tenras como o capim depois da chuva. Essas de reacender crenças.
(Mia Couto)

Luz da semana




A batalha entre espírito e ego é como uma batalha entre a visão ampla e a visão curta. 
Se o ego entra em cena, vejo minha vida em termos de aquisições a curto prazo. Tratarei as outras pessoas como meios para os meus próprios fins egoístas. Se me torno espiritualmente consciente, vejo minha vida na mais ampla perspectiva. As outras pessoas passam a ter extrema importância. 
Meu propósito é fazer chover meus presentes espirituais sobre elas- irradiar amor em todas as direções.

(Brahma Kumaris)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Porque hoje é sábado



Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao por do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
(Fernando Pessoa)