quinta-feira, 5 de maio de 2016

Contando um conto



Há muitos, muitos anos, as terras de Maia ainda eram densas de florestas e de campos verdejantes.
Os seus habitantes tiravam o seu sustento e a sua riqueza dos campos que cultivavam.
Num belo dia do mês de Maio nasceu uma menina, de olhos muito azuis e cabelos cor de fogo.
Seus pais, humildes e modestos camponeses, felizes com o evento, não se cansavam de contemplar aquele ser tão ágil e tão pequenino que lhes sorria.... um sorriso grande que iluminava tudo!
Desde o seu nascimento que aquela casa estava diferente, com um perfume estranho e uma música celestial que não se sabia de onde vinha...
Cedo se aperceberam que qualquer coisa de anormal se passava com a pequenina:
quando esta sorria, tudo em seu redor também sorria, uma música de encantar fazia-se ouvir, o perfume da primavera e uma sensação de paz e felicidade rodeava tudo e todos.
Cada vez mais assustados com este fenômeno, os pais foram pedir conselho ao prior da aldeia.
Este nada de anormal achou naquela criança, antes pelo contrário, foi Deus que quis que esta menina trouxesse consigo a música e o perfume das flores do mês de Maio.
Quando a batizaram, lhe deram o nome de Maia, não só em homenagem ao mês de Maio, mês em que nascera, mas também ao mês das cores e dos perfumes do campo.
Durante doze longos anos Maia foi crescendo, desenvolvendo-se em sabedoria e beleza, tomando-se numa linda mulher.
Seus pais cultivaram durante todos esses anos o medo da reação dos vizinhos se descobrissem o dom da filha e fecharam-na em casa como que numa redoma, sem poder brincar com as crianças da sua idade, sem crescer com elas, sem amigos, sem contatos com outras pessoas que não fossem os seus pais.
Maia não compreendia tal atitude, pois apesar do que lhe dizia seus pais, não se achava diferente das outras crianças.
Um dia o padre voltou a casa, para ver o que se passava.
E este foi descobrir Maia, linda como as flores, rodeada de plantas e animais que foram os seus amigos e companheiros de brincadeiras durante todos estes anos.
Sorrindo, levantou-se e beijou a mão do santo homem e aqueles olhos azuis e o som da sua voz quente e cristalina transformaram um céu triste num belo dia de primavera, luminoso, onde o perfume dos campos floridos rodeava tudo à sua volta e uma cálida sensação de paz e felicidade invadiu o corpo do padre já vergado pelo peso dos anos.
Encantado com tal prodígio, mas zangado com a atitude dos pais, o padre levou-a para a igreja e lá, no final da Missa, apresentou-a a toda a aldeia que a acolheu.
Sorrindo, Maia agradeceu o cuidado demonstrado por todos.
Nesta altura um perfume das flores de Maio irrompeu pela igreja!
Uma música suave, terna e repousante extasiou os corações de todos os presentes!
E foi assim que a fama do seu sorriso e a candura sua voz se espalharam rapidamente pelas aldeias vizinhas!
Com o decorrer do tempo as romarias às Terras de Maia começaram a ser cada vez em maior número, só para verem com os seus próprios olhos aquela menina dos cabelos de fogo e de belos olhos azuis que, quando sorria ou falava tudo se modificava em seu redor...
Diz a lenda que ainda hoje - diz-se entre os mais velhos - que nas Terras de Maia, muitos anos depois da menina já ter morrido, e durante o mês de Maio, se mantém o velho costume de pelos campos saírem a procura das flores do mês de Maio.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Amor genuino



O apego diz: eu te amo, por isso eu quero que você me faça feliz. 
E o amor genuíno diz: eu te amo, por isso quero que você seja feliz. Se isso me incluir, ótimo! Se não me incluir, eu só quero a sua felicidade.
O apego é como segurar com bastante força. 
Mas o amor genuíno é como segurar com muita gentileza, nutrindo, mas deixando que as coisas fluam. Não é ficar preso com força. 
Porém é muito difícil para as pessoas entenderem isso, porque elas pensam que quanto mais elas se agarram a alguém, mais isso demonstra que elas se importam com o outro.
Qualquer tipo de relacionamento no qual imaginamos que poderemos ser preenchidos pelo outro será certamente muito complicado.
Quanto mais agarrarmos o outro com força, mais nós sofreremos.
(Jetsunma Tenzin Palmo)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Coisas d'alma

 

 

 Ontem à noite, confidencialmente, eu disse ao velho sábio:
- Não me esconda nada dos segredos do mundo!
Muito docemente, ele me disse ao ouvido:
Podemos compreender, mas não exprimir!

(Rumi)

domingo, 1 de maio de 2016

Pensamentos daqui e dali



Não se apresse em interpretar o momento.
Apenas, aquiete-se.
Meu encorajamento é : Nunca pense que alguma coisa é contra você.
Tudo é uma bênção!
Por que deveria ser diferente?
Apenas aquiete-se.
E veja como tudo se resolve por si mesmo.
(Mooji)

Para aquecer o coração

sábado, 30 de abril de 2016

Porque hoje é sábado



Para chegares ao que não sabes,
Hás de ir por onde não sabes.
Para chegares ao que não gozas,
Hás de ir por onde não gozas.
Para vires ao que não possuis,
Hás de ir por onde não possuis.
Para vires a ser o que não és,
Hás de ir por onde não és.
Modo de possuir tudo
Para vires a saber tudo,
Não queiras saber coisa alguma.
Para vires a gozar tudo,
Não queiras gozar coisa alguma.
Para vires a possuir tudo,
Não queiras possuir coisa alguma.
Para vires a ser tudo,
Não queiras ser coisa alguma.
Modo para não impedir o tudo
Quando reparas em alguma coisa,
Deixas de arrojar-te ao tudo.
Porque para vires de todo ao tudo,
Hás de deixar de todo ao tudo.
E quando vieres a tudo ter,
Hás de tê-lo sem nada querer.
Porque se queres ter algo em tudo,
Não tens puro em Deus teu tesouro.
Indício de que se tem tudo
Nesta desnudez acha o espírito
sua quietação e descanso,
porque, nada cobiçando, nada
o impele para cima e nada
o oprime para baixo, porque
está no centro de sua humildade;
pois quando cobiça alguma coisa
nisto mesmo se fatiga.
(São João da Cruz)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Palavras






Enquanto você for gentil e tiver amor no seu coração, mil mãos virão naturalmente em seu auxílio.
Enquanto você for gentil e tiver amor no seu coração, você terá mil mãos para auxiliar outros.
(Kuan Yin)