quarta-feira, 30 de maio de 2012

(Res)pingos de luz


Minha vida é nada, um minuto apenas na sequência dos séculos. 
Mas a possibilidade de eu fazer este ou aquele gesto se prolonga até o fim dos tempos, com repercussão sobre todas as gerações vindouras. 
Isto constitui o valor de minha vida. O que a torna o bem mais precioso.
(André Bach)

[Retirado do caderno de anotações do Prof. Antônio Costa, nosso pai.]

terça-feira, 29 de maio de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


X. Os nossos medos não existem. Nós não somos vítimas dos outros nem do mundo

Nada que possa ser poderá ser aniquilado e os nossos medos não existem.
Apenas aquele que em nós não é real produz pensamentos e sentimentos ilusórios, de medo, de carência, de solidão, de preocupação e de desespero.
Em nós esses pensamentos desaparecem dia-a-dia, quando pensamos e sentimos em Deus e através de Deus, pois Ele sempre foi o nosso maior refúgio e esse refúgio foi construído dentro de nós, esse templo onde descansamos e onde nos é dada a paz somente existe dentro de nós e apoia-se nos alicerces do nosso corpo e da nossa alma.
Nós podemos ver a luz e o amor em tudo o que existe e em tudo o que vemos e esse amor é nosso e de nosso Pai, porque nós e o meu Pai somos um só, uma só carne, um só corpo e um só espírito.
Nós não permitimos que pensamentos de negatividade cheguem em algum segundo à nossa morada interior e os pensamentos “negativos” que temos não são nossos, foram criados por erros e pelo nosso livre arbítrio, mas, no nosso interior sempre habitou Deus e tudo o que Lhe está associado e agora, neste instante sagrado, neste momento único e só, em que tudo existe, nós descobrimo-nos novamente e a nossa essência sagrada.
Neste instante que fazemos o que fazemos, apenas fazemos aquilo que fazemos e nada mais desejamos fazer.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Luz da semana


As tensões não são causadas pelas pessoas, eventos, pressões ou ambientes, mas pela forma como respondemos a tudo isso. 
Para uma vida livre de tensão precisamos entender que não podemos controlar os outros. 
A única coisa que podemos controlar são nossos pensamentos, emoções e comportamento. Isso nos ajudará a aceitar as pessoas e situações como elas são e assim iremos parar de resistir ou controlá-las. 
Esse entendimento fará com que nossa atenção vá para onde a mudança realmente precisa acontecer – dentro de nós. 
Quando prestamos atenção no nosso crescimento pessoal e nos alimentamos com pensamentos positivos, sabedoria espiritual e meditação nos tornamos fortes o suficiente para enfrentar situações adversas com calma e sentimentos positivos.
(BK)

sábado, 26 de maio de 2012

Como me tornei louco


Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas
– as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas –
e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:
“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado,
um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
“É um louco!”
Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
“Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,
pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

(Gibran Khalil Gibran)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O agradável gosto das boas lembranças


Era uma vez um rei que tinha todos os poderes e tesouros da terra, mas, apesar disso, não se sentia feliz e, a cada ano, ficava mais melancólico.
Um dia, ele chamou o seu cozinheiro e disse-lhe:
– Você tem cozinhado muito bem para mim e tem trazido para a minha mesa as melhores iguarias, de modo que lhe sou agradecido. Agora, porém, quero que você me dê uma última prova de sua arte. Você deve me preparar uma omelete de amoras igual àquela que comi há 50 anos, na infância.
Naquele tempo, meu pai tinha perdido a guerra contra o reino vizinho e nós precisávamos fugir. Viajamos dia e noite através da floresta, onde, afinal, acabamos nos perdendo. Estávamos famintos e cansadíssimos, quando chegamos a uma cabana onde morava uma velhinha, que nos acolheu generosamente. Ela preparou-nos uma omelete de amoras, e, quando a comi, fiquei maravilhado. A omelete era deliciosa e me trouxe esperança ao coração.
Na época, eu não dei muita importância à coisa.
Mais tarde, já no trono, vasculhei todo o reino, porém não foi possível localizá-la. Agora, quero que você atenda a esse meu desejo: faça uma omelete de amoras igual à dela.
Se você conseguir, eu lhe darei ouro. Se não conseguir, entretanto, mandarei matá-lo.
Então, o cozinheiro disse:
– Senhor, pode chamar imediatamente o carrasco. É claro que conheço todo o segredo da preparação de uma omelete de amoras, sei empregar todos os temperos, conheço as palavras mágicas que devem ser pronunciadas enquanto os ovos são batidos e a melhor técnica para batê-los, mas isso não me impedirá de ser executado, porque a minha omelete jamais será igual à da velhinha.
Ela não terá o sabor picante do perigo, a emoção da fuga, não será comida com o sentido alerta do perseguido, não terá a doçura inesperada da hospitalidade calorosa e do repouso. Não terá o sabor do presente estranho e do futuro incerto.
O rei ficou calado durante algum tempo. Não muito mais tarde, nomeou o homem conselheiro real.
(Do livro As mais belas parábolas de todos os tempos)