sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A preciosidade do momento

Quando escreveu esta simples prece, "Ensinai-nos a querer e a não querer", T. S. Eliot captou a possibilidade de valorizar a preciosidade de cada momento sabendo, ao mesmo tempo, que cada momento logo se dissolveria na grande canção. Podemos conservar cada florescer da vida com um coração aberto e sem apego; podemos honrar cada uma das notas da grande canção destinada a surgir e a passar com todas as coisas.
 O coração desperto pode responder à pergunta: "Quem pode desemaranhar o emaranhado deste mundo?"


Descobrimos um milagre: todas as criações da mente e do coração podem ser transformadas. A descoberta do nosso coração compassivo pode desenredar o nosso sofrimento; o despertar dos olhos da sabedoria pode desenredar a nossa ilusão.
(...) Os sofrimentos criados pela mente podem ser desenredados. Podemos libertá-los e nos abrir àquela grande canção que está além de todas as histórias, ao dharma, que é atemporal. Podemos mover-nos através da vida realizando a nossa parte e, ainda assim, ser livres em meio à vida. Quando as histórias da nossa vida não nos prendem mais, descobrimos algo maior dentro delas. Descobrimos que dentro das próprias limitações da forma  está a liberdade e a harmonia que buscamos por tanto tempo. 
Nossa vida individual é uma expressão do mistério como um todo, e nela podemos repousar no centro do movimento, o centro de todos os mundos.
(Jack Kornfiel)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Contando um conto



O aluno perguntou ao Mestre :
- Como faço para me tornar o maior dos guerreiros ?
- Vá atrás daquelas colina e insulte a rocha que se encontra no meio da planície.
- Mas para que, se ela não vai me responder ?
- Então golpeie-a com a tua espada.
- Mas minha espada se quebrará !
- Então agrida-a com tuas próprias mãos.
- Assim eu vou machucar minhas mãos ... E também não foi isso que eu perguntei. O que eu queria saber era como que eu faço para me tornar o maior dos guerreiros.
- O maior dos guerreiros e aquele que é como a rocha, não liga para insultos nem provocações, mas está sempre pronto para desvencilhar qualquer ataque do inimigo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

(Com)fiança



Unir, fiar, tecer, juntar, fortalecer para o bem de todos os seres. Sem perdedores. Que tal acreditar?
Há fiança para o crime da descrença na vida e na imprensa? Confiança é fiar junto. Estamos fiando juntos a vida na Terra? Com certeza.
Mas que fios estranhos e sinistros são esses, reis, imperadores, guerreiros, senhores, governantes, ministros? Que notícias descontentes, sem empenho em ser decentes, apenas manipulando a própria mente.
Mente que mente por trivialidades, poderes transitórios, arroubos partidários. No mundo, gente. No mundo.
Futebol, circo, navios, guerras, bombas, países, aviões e armas. Quem fala em desarmar é tido de covarde, bobão, tolo.
Defender e lutar. A luta armada já passou e deixou tristezas e mágoas. Agora é época de não lutar mais. Será que a gente nunca aprende?
Unir, fiar, tecer, juntar, fortalecer para o bem de todos os seres. Sem perdedores. Todos ganham juntos. Que tal vir brincar essa antiga e nova brincadeira de fiar, de confiar, de acreditar?
Tecendo com fios de seda, brilhantes e multicoloridos, a esperança de reconhecermos juntos a nossa humildade, Humanidade, o nosso húmus da Terra, da qual somos filhos e filhas.
Mãe, eu não queria tê-la feito sofrer e chorar. Família em luto na luta dos desencontros. Na briga e nos confrontos, sem despertar. Separa ação. Tristeza. Poderia ser uma grande e única nação.
Fiar é dar a palavra, reafirmar a palavra dada.
Há quem não venda fiado, pois já não se confia em mais nada. Antes se confiasse no nada, no vazio, na certeza da incerteza.
Há fiança para a desconfiança? Fiança é cavalo querido, todos os cavaleiros o apreciam, é confiável. Quem é o cavalo da hora? O fiança, a fiança do agora? Está no céu ou no mar? Perdeu-se na nuvem polar? Está entre os inovadores ou entre os conservadores? Queria tanto reencontrar Fiança.
Poderia sair galopando faceira pela Terra inteira. Nada me impediria de chegar aonde quer que fosse para levar a notícia de que os seres humanos se reconheceram. Ao se reconhecerem, se respeitaram. Ao se respeitarem, passaram a cuidar da vida que palpita em cada molécula, átomo, partícula.
Ah, Fiança, por que caminhos se enroscou minha montaria?
Será que alguém o escondeu?
Vamos pensar que o estão tratando bem. Afagando seu pescoço, penteando sua crina, dando banho, passeio, carinho, cenoura, comida da boa. Esse pensamento me conforta.
Pois Fiança me espera para que juntos possamos unir os corações em concordância, recordar e lembrar de cor, buscar na grande memória a coragem de fiar.
Fiar com fios mágicos os corações rotos, partidos, quebrados. Para que fiquem novamente unidos no compromisso de fidelidade, no ato de confiar na análise verdadeira dos fatos.
Poder ver em profundidade. Compreender claramente e desabrochar em fragrância na primavera itinerante que se abre aqui e ali.
Vou cobrir essa fiança e demonstrar a inocência da decência da vida e da imprensa, da mídia e da mente humana, que, no fundo, bem no fundo, anda carente de saudades de juntos fiarmos a trama da existência.
Mãos em prece!
(Monja Coen)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Porque hoje é sábado



Eu saúdo a Vida,que é como semente germinada,
com um braço que se eleva no ar
e o outro sepultado no chão.
A Vida que é una,em sua forma externa e em sua seiva interior;
a Vida que sempre aparece e desaparece.
Eu saúdo a Vida que vem e a Vida que passa.
Eu saúdo a Vida que se revela e a que se oculta.
Eu saúdo a Vida em suspenso,imóvel como uma montanha,
e a Vida do enraivecido mar de fogo;
a Vida,tão terna como o lótus e tão cruel como a centelha.
Eu saúdo a Vida da mente,que tem um lado na sombra
e outro lado na luz.
Eu saúdo a Vida da casa e a Vida de fora,no desconhecido;
a Vida repleta de prazeres e a Vida esmagada por pesares;
a Vida eternamente patética,que agita o mundo para
aquietá-lo;
a Vida profunda e silenciosa que explode em fragorosas ondas.

(Poema escrito por uma poetisa da Índia medieval)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Entre aspas









Não precisa correr tanto, o que é seu às mãos lhe há de vir.
(Machado de Assis)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Contando um conto

Há algum tempo atrás existia, numa distante e pequena vila, um lugar conhecido como A Casa dos Mil Espelhos.
Certo dia, um pequeno e feliz cãozinho soube deste lugar e decidiu visitar.
Quando lá chegou, saltitou feliz escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e abanando a sua cauda, tão rapidamente quanto podia.
Para sua grande surpresa, deparou-se com outros mil pequenos e felizes cãezinhos, todos a abanarem as suas caudas, tão rapidamente quanto a dele.
Nesse momento, deu um enorme sorriso e foi correspondido com mil sorrisos enormes. Quando saiu da casa pensou: Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um milhão de vezes.
Na mesma vila havia outro pequeno cãozinho, não tão feliz quanto o primeiro, que decidiu também visitar a casa.
Subiu lentamente as escadas e espreitou através da porta.
Quando viu mil cães a olhá-lo fixamente, rosnou e mostrou os dentes e ficou assustado ao ver mil cães a rosnar-lhe e a mostrar-lhe os dentes.
Saiu a correr e pensou: Que lugar horrível, nunca mais volto aqui!


Todos os rostos no mundo são espelhos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Coisas d'alma




Não há necessidade de saber para onde está indo.
Tudo o que você precisa saber
é que está indo alegremente.
Pois se você está indo alegremente, você não pode estar errado.

(Osho)