sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sem comparação




Estamos constantemente a comparar-nos uns com os outros, com alguém que teve mais sorte, o que somos com aquilo que deveríamos ser. 
A comparação, de fato, mata. A comparação é degradante, ela perverte a nossa observação. E é no seio da comparação que somos criados.
Toda a nossa educação se baseia na comparação, assim como a nossa cultura. Portanto, existe uma constante luta para sermos uma coisa diferente daquilo que realmente somos.
A compreensão do que somos liberta a criatividade, mas a comparação alimenta a competitividade, a crueldade, a ambição e, pensamos nós, isso gera progresso. 
O progresso só nos levou até agora a guerras cruéis e à infelicidade como jamais o mundo conheceu. 
A verdadeira educação é educar as crianças sem comparação.
(Krishnamurti)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Contando um conto



Um lenhador costumava ir à floresta todos os dias. Passava por muitas privações em função do tempo que por vezes chovia muito e por outras o sol despontava sem piedade.
Um místico vivia na floresta. Ele assistia o lenhador ir envelhecendo, doente, faminto, trabalhando duro todo dia. Então lhe disse: escute, porque você não vai um pouco mais adiante?
O lenhador respondeu: o quê eu vou ganhar indo um pouco mais adiante? Mais madeira? Carregar desnecessariamente aquelas madeiras por quilômetros?
O místico respondeu: não. Se você for um pouco mais adiante, você irá encontrar uma mina de cobre. Você pode pegar o cobre e levar a cidade, e ganhar o suficiente para viver uma semana. Você não precisará vir cortar lenha todos os dias.
O homem pensou: porque não arriscar?
Ele foi e encontrou a mina. E ficou tão feliz que voltou e caiu aos pés do místico que lhe disse:
Não comemore tanto agora. Você tem que ir um pouco mais para dentro da floresta.

Mas, ele disse, para que? Agora eu tenho comida para uma semana.
E o místico disse, por enquanto...
Mas o homem indagou, eu vou perder a mina de cobre se eu for mais adiante.
E o místico respondeu: você vai. Você certamente vai perder a mina de cobre, mas existe uma mina de prata. E seja lá o que você possa trazer, será o suficiente para três meses.
O místico provou que estava certo com a mina de cobre, pensou o lenhador. Talvez, ele também esteja certo com a mina de prata. E ele foi e encontrou a mina de prata.
E voltou dançando e disse como posso lhe pagar? Sou imensamente grato.
O místico falou, mas existe uma mina de ouro, alguns passos à frente.
O lenhador ficou indeciso. De fato ele era um homem pobre, e já tinha uma mina de prata, que ele nunca tinha sonhado.
Mas, se o místico está dizendo, quem sabe? ele pode estar certo. E ele encontrou a mina de ouro. Agora era suficiente voltar só uma vez por ano.
Mas, novamente o místico o incitou: isto será muito tempo – daqui a um ano você vai voltar aqui. Eu estarei envelhecendo, talvez não esteja aqui, talvez eu já tenha partido. Então, preciso lhe dizer para não ficar só na mina de ouro. Vá um pouco mais…
Mas, disse o homem, por quê? Qual é a questão? Você me mostra uma coisa, e no momento que eu consigo isto, você imediatamente me diz para soltar aquilo e ir adiante! Agora eu encontrei a mina de ouro!
O místico então continuou: mas existe uma mina de diamantes um pouco mais adiante na floresta.
O lenhador foi naquele mesmo dia e a encontrou. Ele trouxe muitos diamantes e disse, isto será o suficiente para toda minha vida.
O místico disse, talvez não nos encontremos mais, então minha última mensagem é:
agora que você tem o suficiente para toda sua vida, vá para dentro!

Esqueça a floresta, a mina de cobre, a mina de prata, a mina de ouro, a mina de diamante.
Agora eu vou lhe dar o supremo tesouro que esta com você. Todas as suas necessidades externas, estão preenchidas. Sente-se, como eu estou sentado aqui.
O pobre homem disse, sim, eu estava me perguntando… você sabia da existência de  todas estas minas – porque você escolheu se sentar aqui? Esta questão me veio muitas vezes e eu ia lhe perguntar, porque você não pegou todos aqueles diamantes? Só você tinha conhecimento deles. Porque você veio sentar debaixo desta árvore?

Depois que eu encontrei os diamantes, meu mestre me disse, agora sente-se debaixo desta árvore e VÁ PARA DENTRO.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Entre aspas







Basta apenas dizer que, quando você queira ou deseje melhorar qualquer coisa na sua vida, existe somente um lugar onde procurar: dentro de você mesmo.
E, quando olhar, faça-o com amor.
(Joe Vitale)

A hora certa



Poderíamos, com mais frequência, tentar deixar a vida em paz para desembrulhar suas flores no tempo dela, no tempo delas, e, em alguns momentos, nem desembrulhar. Apesar da nossa cuidadosa aposta nas sementes, algumas simplesmente não vingam e isso não significa que a vida, por algum motivo, está se vingando de nós. Há muito mais jardim para ser desembrulhado.
Poderíamos, mais vezes, tentar respeitar os dias e as noites das coisas, os sóis e as luas de cada uma, os amanheceres, os entardeceres, as madrugadas, a sabedoria reparadora e tecelã dos intervalos, as estações todas com seus jeitos todos de dizer. Percebermos, mais vezes, a partir da nossa própria experiência humana, que tudo o que vive, queira ou não, está submetido à inteligência natural e engenhosa das fases. Dos ciclos. Da permanente impermanência. Da mudança.
Poderíamos, amiúde, tentar desviar nossa atenção do relógio perigoso da expectativa, geralmente adiantado demais. Aquele tal cuja velocidade transtornada dos ponteiros costuma apontar para o tamanho e a urgência das nossas carências. Para a necessidade de preenchimento imediato e contínuo do que chamamos de vazio, às vezes porque é, às vezes por falta de palavra melhor. Aquele tal relógio que geralmente só antecipa frustração e atrasa sossego. Aquele tal que costuma só fomentar dificuldades e alimentar fomes.
Mas, não. A crisálida ainda está se acostumando com a ideia de ser borboleta e já queremos que voe. A flor ainda é botão e, em vez de apreciá-la como botão, ficamos apressados para vê-la desabrochada. O fruto ainda precisa amadurecer, mas o arrancamos, verde, do pé, por mera ansiedade. Ainda é a vez do tempo estar vestido de noite, mas queremos que se troque rapidinho para vestir-se de manhã.
Nossa impaciência, nossa pressa avida pelo resultado das coisas do jeito que queremos, no tempo que queremos, geralmente altera o sábio fluxo do tempo da vida e o desdobramento costuma não ser lá muito agradável. Não é raro, nós o atribuímos à má sorte, ao carma, ao mau-olhado. Não é raro, culpamos Deus, os outros, os astros, os antepassados. Não é raro, é claro, nós ainda nos achamos cobertos de razão.
É fácil lidar com isso? Não é não. Nem um pouco. Esse é um dos capítulos mais difíceis do livro-texto e do caderno de exercícios: o aprendizado do respeito ao sábio tempo das coisas.
(Ana Jácomo)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A simplicidade do agora



Costuma acontecer bastante que, em qualquer coisa que estejamos fazendo — sentando, andando, levantando ou deitando –, a mente frequentemente é desligada da realidade imediata e, no lugar disso, fica absorvida na conceitualização compulsiva sobre o futuro ou o passado.
Enquanto estamos andando, pensamos sobre a chegada, e quando chegamos, pensamos na partida. Quando estamos comendo, pensamos sobre a louça e quando lavamos a louça, pensamos em ver televisão.
Essa é uma maneira bizarra de manter a mente. Não estamos conectados com a situação presente, mas estamos sempre pensando noutra coisa. 
Com muita frequência somos consumidos por ansiedade e desejo, arrependimentos sobre o passado e antecipação do futuro, perdendo completamente a perfeita simplicidade do momento.
(B. Alan Wallace)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Luz da semana



A compaixão não é um estado que criamos para realizar boas obras para beneficiar alguém. É parte de nossa natureza e, quando nos ligamos com ela, acabamos nos enriquecendo e nos beneficiando no mínimo tanto quanto a pessoa que é objeto de nossa simpatia e preocupação.
Quando estamos genuinamente engajados num processo de trabalhar com os outros, também estamos trabalhando com nós mesmos. Assim, todo e qualquer tempo que gastamos num processo desse tipo não é um desperdício, mesmo do ponto de vista da liberdade individual.
Há um ditado budista que diz: ajudar os outros é a forma suprema de ajudar a si próprio. Exatamente no momento em que estamos tentando aconselhar outra pessoa, dando o melhor de nós, realmente tentando ajudar, oferecendo o nosso melhor discernimento sobre os problemas dela, é nesse momento em que podemos ter uma súbita realização quanto a um problema de nós mesmos.
Geralmente é durante os nossos esforços de ajudar os outros em suas confusões que vivenciamos alguma libertação de nossa própria confusão. Esse potencial para beneficio mútuo está sempre presente. 
Por essa razão, não devemos sustentar a visão de que somos inteligentes e de que a pobre pessoa confusa na nossa frente não sabe de nada. Ao mesmo tempo, não devemos esperar qualquer resultado ou recompensa. 
Em resumo, compaixão genuína é algo livre de manobras.
(Dzogchen Ponlop Rinpoche)

domingo, 30 de agosto de 2015

Entre aspas






Não se sinta só, o universo inteiro está dentro de você.
(Rumi)