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sábado, 24 de setembro de 2016
Porque hoje é sábado
Não se pode dizer para a primavera: tomara que chegue logo e dure bastante.
Pode-se apenas dizer: venha, me abençoe com sua esperança e fique o máximo de tempo que puder.
(Paulo Coelho)
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Contando um conto
Era uma vez uma aldeia situada no cume de uma montanha e que não conhecia a primavera.
Os habitantes da aldeia já tinham ouvido falar da primavera, mas nunca a tinham visto. Sabiam que era prima do verão e do inverno, com os quais mantinha uma relação próxima, já com o seu primo outono a relação era distante e tênue, viviam em extremos opostos e nunca se cruzavam. Só o conhecia pelo que falavam dele, pois nunca se tinham encontrado.
Um dia a notícia de que a primavera viria visitar a aldeia espalhou-se e os seus habitantes ficaram muito ansiosos pela chegada desse dia.
Na data marcada, eis que chega a primavera! Pediu boleia a uma rajada de vento que se comprometeu a deixá-la na aldeia às horas marcadas. Já todos a esperavam.
Quando a viram e a puderam observar mais de perto constataram a sua sublime e serena beleza. Era tão linda, a primavera!
Vestia roupas frescas de tecidos transparentes de cores garridas. O seu cabelo era longo e caia-lhe nos ombros. O seu sorriso era os primeiros raios de sol que alegravam e aqueciam qualquer coração humana. O seus olhar contundente refletia a paz do céu azul e a sua respiração era a brisa suave que lhes beijava o rosto. As suas delicadas expressões corporais assemelhavam-se às mais puras manifestações de fertilidade.
A certa altura, tirou de dentro da mala que trazia a tiracolo e que era a sua bagagem, uma pequena caixinha de música, já antiga, cinzelada, de cor púrpura e com motivos florais dourados. Abriu-a! Uma melodia suave ecoou nos ouvidos dos habitantes deixando-os em estado de êxtase. Era uma espécie de amálgama onde se misturavam o chilrear dos pássaro, o zumbir das abelhas, os gritos eufóricos das crianças a brincarem no campo, o bater da roupa molhada na pedra do tanque enquanto era lavada e o esvoaçar da roupa no arame a secar.
Consigo trazia também um frasco de vidro transparente com um líquido de cor lilás que emanava o intenso e relaxante perfume da glicínia.
Os mais curiosos conseguiram ainda, mesmo sem ela lhes ter mostrado, alguns dos lenços que trazia onde as borboletas voavam livremente sobre as flores de mil cores e sobre os campos verdejantes.
Havia ainda algo que a primavera lhes queria mostrar: um relógio! Um belo e valioso relógio de bolso prateado. Não tinha números…só a imagem da lua e do sol e duas cores: branca e negra. A branca era mais extensa e logo se aperceberam que aquele era o relógio que ditava as regras dos dias. Com a chegada da primavera à aldeia os dias começariam a ser maiores e as noites mais pequenas.
Caiu a noite…E os habitantes da aldeia preparavam-se para ir dormir, assim como a Primavera que estava exausta da viagem, quando se depararam com mais uma melodia mágica, com que a primavera resolvera brindá-los, pela simpatia de ter sido tão bem recebida. Era o som possante dos grilos machos e das corujas que entoavam, na imensidão da noite, os seus cânticos sobre um manto de brilhantes, que refletiam a alegria de todos os habitantes.
Também para eles começava um novo ciclo com a chegada da primavera…O ciclo revitalizado da fertilidade!
sexta-feira, 20 de março de 2015
quinta-feira, 20 de março de 2014
Equinócio de outono
Se todos os rios são doces, de onde o mar tira o sal?
Como sabem as estações do ano que devem trocar de camisa?
Por que são tão lentas no inverno e tão agitadas depois?
E como as raízes sabem que devem alçar-se até a luz e saudar o
ar com tantas flores e cores?
É sempre a mesma primavera que repete seu papel?
E o outono? ... ele chega legalmente ou é uma estação
clandestina?
(Pablo Neruda)
quarta-feira, 20 de março de 2013
Saudação ao outono

As folhas caídas já
não podem volver à árvore.
Mas não estão perdidas.
Viram humo.
Viram seiva.
Alimentam a árvore.
Renascem ramos, folhas, flor e fruto.
(Professor
Hermógenes)
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Tempos gelados
[...]
O rei sol decidiu que cada um deles governasse por sua vez, durante certo
tempo. As ordens de um pai, para mais rei, e ainda por cima sol, tem de se
cumprir.
O outono não gostava desta partilha. Queixava-se de que lhe não davam tempo… ainda estava ele a arrumar e a alindar a casa, pintando tudo da cor púrpura, em tons e meios-tons amarelos doirados, e já o inverno lhe batia à porta. Então o outono tinha uma birra e arrancava as folhas das árvores, algumas ainda por pintar…
Saía o outono com lágrimas nos olhos e entrava o inverno.
Em que desordem isto está — exclamava ele, irritado. E punha-se a varrer. Varria com tanta força que fazia vento. Depois lavava, em grandes bátegas, caídas do céu… as sementes e os grãozinhos, que o outono deitara à terra, assustavam-se: iremos nós também na cheia? — perguntavam uns para os outros.
O inverno ouvia-os e dizia-lhes: sosseguem! Durmam descansados. Vai tudo dormir um longo sono. Assim tem de ser.
E tão carinhoso ele era que cobria os lugares mais desprotegidos da terra com um manto branco de neve [...]
O outono não gostava desta partilha. Queixava-se de que lhe não davam tempo… ainda estava ele a arrumar e a alindar a casa, pintando tudo da cor púrpura, em tons e meios-tons amarelos doirados, e já o inverno lhe batia à porta. Então o outono tinha uma birra e arrancava as folhas das árvores, algumas ainda por pintar…
Saía o outono com lágrimas nos olhos e entrava o inverno.
Em que desordem isto está — exclamava ele, irritado. E punha-se a varrer. Varria com tanta força que fazia vento. Depois lavava, em grandes bátegas, caídas do céu… as sementes e os grãozinhos, que o outono deitara à terra, assustavam-se: iremos nós também na cheia? — perguntavam uns para os outros.
O inverno ouvia-os e dizia-lhes: sosseguem! Durmam descansados. Vai tudo dormir um longo sono. Assim tem de ser.
E tão carinhoso ele era que cobria os lugares mais desprotegidos da terra com um manto branco de neve [...]
(Desconheço
autoria)
terça-feira, 20 de março de 2012
Saudação ao outono
(O outono devolve à terra as folhas que ela emprestou ao verão...)
Terra, ensina-me a quietude, como a relva é silenciosa pela luz.
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes em seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve seu bebê.
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo.
Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu.
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no outono.
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo, como a neve que derrete esquece sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar da bondade, como os campos áridos choram com a chuva.
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes em seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve seu bebê.
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo.
Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu.
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no outono.
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo, como a neve que derrete esquece sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar da bondade, como os campos áridos choram com a chuva.
(Prece indígena)
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Bem-vinda primavera!
As chuvas cessaram, o inverno é passado,
os caminhos, as flores estouram dos brotos,
e na terra de minh'alma é chegado o tempo das canções!
(Hoje é dia de Maria)
(Hoje é dia de Maria)
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