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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Contando um conto



Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:
Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?
Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito: O caminho passa ali fora, depois da cerca.
Mas, replicou o homem meio confuso, eu não me refiro a esse caminho.
Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse: Então de que caminho se trata?
O outro disse, em tom místico: Falo, mestre, do Grande Caminho!
Ahhh, esse! sorriu Joshu. O grande caminho segue por ali até a Capital.
E continuou a sua tarefa.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Contando um conto



Dois discípulos procuraram um mestre para saber a diferença entre conhecimento e sabedoria.
O mestre disse-lhes: Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos 20 grãos de feijão, 10 em cada pé. Subam, em seguida, o monte que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos.
No dia seguinte, os jovens discípulos começaram a subir o monte. Lá pela metade, um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito.
O outro subia naturalmente a montanha.
Quando chegaram ao topo, um estava com o semblante marcado pela dor, o outro, sorridente. 
Então, o que mais sofrera durante a subida perguntou ao colega: Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura? O companheiro respondeu: Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os 20 grãos de feijão.
(conhecimento não é sabedoria)

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Contando um conto



Disseram-me que você é sábio… 
Por favor, diga-me que coisas pode fazer um sábio que não estão ao alcance das demais pessoas.
O ancião lhe contestou: Quando como, simplesmente como; durmo quando estou dormindo, e quando falo com você, só falo com você.
Mas isso também posso fazer e não por isso sou sábio, contestou-lhe o homem, surpreso.
Eu não acho assim, replicou-lhe o ancião. Pois quando você dorme, lembra-se dos problemas que teve durante o dia ou imagina o que você pode ter ao se levantar. Quando você come, está planejando o que vai fazer mais tarde. E enquanto fala comigo pensa em que vai me perguntar ou como vai me responder, antes que eu termine de falar.
O segredo é estar consciente do que fazemos no momento presente e assim desfrutar cada instante do milagre da vida.

(Anthony de Mello)


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Contando um conto



O mestre zen Chao-chou perguntou a um monge recém-chegado a seu mosteiro:
Já esteve aqui antes?
Sim, senhor, respondeu o monge, já estive no verão passado.
Ah! Então entre e tome uma xícara de chá disse o mestre, feliz.
Num outro dia, apareceu um novo recém-chegado. Chao-chou lhe perguntou:
Já esteve aqui antes?
Eu jamais estive aqui, mestre.
Ah! exclamou o sábio, feliz, então entre e tome uma xícara de chá.
Inju, o monge que administrava o templo, testemunhou ambos os eventos. Disse então para Chao-chou, intrigado:
Por que sempre faz o mesmo oferecimento de chá, qualquer que seja a resposta do monge?
O mestre subitamente gritou-lhe:
INJU!!
O outro assustou-se e disse, apreensivo:
Sim, mestre! O que houve?!
Chao-chou completou:
Entre e tome uma xícara de chá.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Contando um conto



Um Mestre Sufi contava sempre uma parábola no final de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam o seu significado.
Mestre, - perguntou um deles, certo dia - tu contas-nos contos mas nunca nos explicas o que significam.
As minhas desculpas. - disse o Mestre - Como compensação, deixa-me que te ofereça um belo pêssego.
Obrigado, Mestre - disse o discípulo, comovido.
Mais ainda: como prova do meu afeto, queria descascar-te o pêssego. Permites que o faça?
Sim, muito obrigado. - disse o discípulo.
E, já que tenho a faca na mão, não gostarias que eu cortasse o pêssego em pedaços, para que te seja mais fácil comê-lo?
Sim, mas não quero abusar da tua generosidade, Mestre...
Não é um abuso; sou eu que me estou a oferecer. Quero apenas agradar-te. Permite-me também que mastigue o pêssego antes de to oferecer...
Não, Mestre! Não gostaria que fizesses isso! - queixou-se o discípulo, surpreendido.
O Mestre fez uma pausa e disse:
Se vos explicasse o sentido de cada conto, seria como dar-vos de comer fruta mastigada.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Contando um conto



Ouvi uma antiga parábola sufi.
Dois discípulos de um grande mestre estavam caminhando pelo jardim da casa desse mestre. Era permitido a eles caminhar todo o dia, de manhã e de noite. O caminhar era um tipo de meditação, uma meditação do andar – exatamente como os adeptos do zen fazem a meditação do caminhar.

Os dois eram fumantes; ambos queriam a permissão do mestre. Então os dois decidiram:
Amanhã. No máximo, ele dirá não; mas vamos pedir. E não parece um sacrilégio assim tão grande, fumar no jardim; na realidade, nós não estaremos fumando na casa dele.
No dia seguinte, eles se encontraram no jardim. Um deles ficou furioso – furioso porque o outro estava fumando – e disse: O que aconteceu?
Eu também pedi, mas ele simplesmente recusou, categoricamente, dizendo não. E você está fumando? Não está se sujeitando as ordens dele!?
Ele respondeu: Mas ele disse sim para mim.
Isso parecia injusto. O primeiro então disse: Eu irei imediatamente até ele, para saber por que ele disse não para mim, e sim para você?
O outro disse: Espere um minuto! Primeiro me diga: o que você pediu a ele?
Ele respondeu: O que eu pedi? Simplesmente: Posso fumar enquanto meditar? Ele disse: Não – e parecia muito irritado.
O outro começou a rir e disse: Agora eu entendi a questão. Eu perguntei a ele: Posso meditar enquanto fumar? Ele disse: Sim.
Tudo depende.

Apenas uma sutil diferença e a vida vira algo completamente diferente.
Agora, há uma grande diferença. Perguntar: Posso fumar enquanto meditar? Simplesmente horrível.
Mas perguntar: Posso meditar enquanto fumar? Está perfeitamente bem. Ótimo! Pelo menos você está meditando.
A vida não é nem miséria nem glória. A vida é uma tela vazia e requer uma grande arte.
(Osho)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Contando um conto



Conta uma velha lenda hindu que outrora todos os homens eram deuses, mas abusaram de tal modo da sua natureza divina que Brahma, o Senhor dos deuses, decidiu retirar-lhes esse poder divino e escondê-lo em lugar onde lhes fosse impossível encontrá-lo. 
O problema, contudo, era encontrar esse esconderijo. Brahma convocou, pois, todos os deuses menores a fim de resolver este problema, e a sugestão que eles lhe deram foi enterrar a divindade do homem bem no fundo da terra. Mas Brahma respondeu-lhes que isso não seria suficiente pois o homem escavaria a terra e acabaria por reencontrar a sua natureza divina. 
Então os deuses sugeriram que se atirasse para o fundo do mar a natureza divina do homem. E de novo Brahma lhes respondeu que, mais tarde ou mais cedo, o homem exploraria as profundezas do mar e a recuperaria. 
Os deuses menores já não sabiam que outros lugares poderiam existir, quer na terra quer no mar, onde o homem não conseguisse chegar um dia. 
Então Brahma disse: "Vamos fazer o seguinte com a natureza divina do homem: vamos escondê-la bem no fundo de si mesmo, pois será esse o único lugar onde o homem nunca a irá procurar."
E, desde esse dia, segundo conta a lenda, o homem tem percorrido e explorado o mundo, subido às montanhas mais altas e descido às grandes profundezas da terra e do mar, sempre à procura do que está dentro de si próprio.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Contando um conto



Um Mestre budista viajava a pé com seus discípulos, quando reparou que discutiam entre si quem era o maior entre eles.
Pratico meditação há quinze anos - dizia um.
Faço caridade desde que saí da casa de meus pais - dizia outro.
Sempre segui os ensinamentos de Buda - dizia um terceiro.
Ao meio-dia pararam à sombra de uma macieira para descansar. Os galhos estavam carregados e vergavam até o chão com o peso das frutas.
Então, quando todos se calaram, o Mestre falou:
Vejam, meus discípulos, quando uma árvore está carregada de frutos, seus ramos se abaixam e tocam o chão. 
Desta maneira, o verdadeiro sábio é aquele que é humilde. 
Quando uma árvore não tem frutos, seus ramos são arrogantes e altivos. 
Desta maneira, o tolo sempre se crê maior que seu próximo.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Contando um conto



Um dia, numa bela manhã de sol, um sábio é procurado por seu aprendiz interessado, que lhe pergunta:
Mestre, qual o significado da amizade?
O mestre lhe aponta três árvores visíveis de onde se encontravam e, responde:
Observe estas três árvores.  São diferentes: numa há flores bonitas e perfumadas; noutra, notamos frutos que chegam a dobrar seus galhos; e na última há somente folhas misturadas numa variedade de cores.
Subiram então em um penhasco de onde podiam ter  uma visão panorâmica e,  o mestre perguntou ao seu aprendiz:
O que vê você aqui de cima?
Vejo apenas que essas árvores cresceram próximas e  independentes, porém suas copas se fundem, produzindo uma única sombra, respondeu o aprendiz.
O mestre concluiu, então:
Esse é o verdadeiro significado da amizade: diferenças que crescem juntas, mas que quanto maiores mais próximas ficam, produzindo  na força da união uma única sombra, um único abrigo, um pomar de refazimento de forças e um refrigério para os olhos,  para a alma e para o coração.
Os amigos são como árvores diferentes, mas que crescem próximas; quanto mais crescem, mais se unem, refletindo uma única força, uma nova descoberta a cada encontro; é como a sombra que se dilata quando as copas das árvores se aproximam.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Contando um conto



Havia um mosteiro no alto de uma montanha onde viviam muitos monges, de diversas idades e origens.

Ali eles meditavam, entoavam mantras, liam os textos sagrados, trabalhavam uns para os outros, e cuidavam da natureza.

Uma vez, um visitante veio conhecer o mosteiro, e para isso um monge foi designado para guiá-lo.

Os dois caminhavam e o visitante ficou encantado com a simplicidade, a paz e a beleza do lugar.

Ele então vira-se para o monge e pergunta: Mas diga-me aqui todos são assim, pacíficos, tranquilos? Não vejo ninguém ansioso, apressado, este lugar é um paraíso, quem dera se o mundo lá fora fosse assim também, pura paz, harmonia e tranquilidade. Todos trabalhando serenamente, com o coração aberto e plenamente conscientes.

O monge então diz: Venha comigo que lhe mostrarei uma coisa importante.

Eles foram caminhando até o refeitório, e ali eles viviam de modo muito simples. Se alimentavam somente uma vez ao dia, e naquele dia o alimento era uma cuia de sopa de grão de bico.

Os dois chegaram até a porta e ficaram observado os monges se alimentando.

Havia um que orava enquanto se alimentava: Agradeço por este alimento. Com ele posso trabalhar, experimentar a vida e a bênção de viver. A luz do sol, a terra, a chuva, as mãos que fizeram crescer esse grão de bico, manifestam toda a criação, a radiância da natureza inteira em cada grão. Esta deliciosa sopa, que irá alimenta meu corpo, e me dará energia para o trabalho e para a meditação. Gratidão por este alimento sagrado. Sou grato eternamente.

Havia um que comia em absoluto silencio. Nada dizia. Puro silêncio.

E havia um que reclamava sem cessar: Que droga isso! Mais um dia comendo essa coisa sem gosto nenhum! Essa sopa de grão de bico de novo? Isso vai acabar comigo mais cedo ou mais tarde! Quem aguenta isso? Me dê uma comida de verdade! Assim desse jeito prefiro passar fome!

O monge e o visitante ficaram ali observando os três em silêncio.

Eis que o monge se vira para o visitante e diz:

-Vê como a vida é como esta sopa o grão de bico?

Ela se dá a todos igualmente, mas como cada um a vê é que a torna um céu, uma realidade neutra, ou um inferno.

Na verdade, nada acontece ao grão de bico, ele apenas se dá, está ali, nada mais.

Porém, as interpretações da mente, estas são infinitas e não é só no mundo que encontramos isso.

Você acabou de ver, o céu e o inferno acontecem dentro da mente, nada acontece fora.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Contando um conto



Um monge bateu à porta de um mosteiro.
Outro monge abriu a porta e perguntou para aquele que estava chegando: De onde você vem?
E o monge que chegava, respondeu: Para onde você vai?
São duas perguntas: De onde você vem? e Para onde você vai?.
Eles, então, sorriram, fizeram Namastê um para o outro e a porta foi aberta.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Contando um conto



Um discípulo foi ao seu mestre e disse fervorosamente:
Eu estou ansioso para entender seus ensinamentos e atingir a Iluminação! Quanto tempo vai demorar para eu obter este prêmio e dominar este conhecimento?
A resposta do mestre foi casual:
Uns dez anos...
Impacientemente, o estudante completou:
Mas eu quero entender todos os segredos mais rápido do que isto! Vou trabalhar duro! Vou praticar todo o dia, estudar e decorar todos os sutras, farei isso dez ou mais horas por dia!! Neste caso, em quanto tempo chegarei ao objetivo?
O mestre pensou um pouco e disse suavemente:
Vinte anos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Contando um conto



Ouvi sobre um político: ele foi a um Mestre e disse: Você me mandou meditar, orar, isso e aquilo, e eu faço essas coisas, mas nenhuma revelação jamais aconteceu.
O mestre o fitou e disse: Vá lá fora e fique na rua por dez minutos.
E estava chovendo forte.
O político perguntou: Ficar na rua enquanto está chovendo tanto?
O mestre respondeu: Simplesmente vá e uma revelação surgirá.
E o político pensou: Se vai acontecer uma revelação, então vale a pena tentar. Dez minutos na chuva não é um problema tão grande.
Ele ficou lá, e parecia estúpido, pois as pessoas estavam passando e pensavam: O que nosso primeiro ministro está fazendo?
Mas ele ficou com os olhos fechados, e abrindo-os repetidamente para olhar o relógio - dez minutos era um longo período, pois uma multidão se juntou e as pessoas começaram a rir. Elas estavam perplexas: O que aconteceu com o primeiro ministro?
E então ele correu para a casa e disse ao Mestre: Não aconteceu nada! Você me enganou!
O mestre disse: Diga-me, como você se sentiu?
Ele respondeu: Senti-me como uma pessoa muito estúpida, absolutamente estúpida!
O Mestre disse: Esta é uma grande revelação! O que você acha? No período de apenas dez minutos saber que você é uma pessoa muito estúpida - você não acha isso uma grande revelação?

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Contando um conto



Há uma parábola chinesa que diz:
Dois homens caminham por uma estrada em sentido contrário, cada um traz consigo um pão. Em determinado ponto os dois se encontram e trocam os pães… Depois, cada um segue, levando um pão.
Em outra estrada, dois homens também caminham em sentido contrário, e cada um deles traz consigo uma ideia. Em determinado ponto eles se encontram e trocam as ideias… Depois, cada um segue seu caminho, levando agora duas ideias.
É assim: quando trocamos bens materiais, não acrescentamos muito ao nosso patrimônio, mas quando trocamos experiências, transformamos nossa mente numa ferramenta fecunda, capaz de proporcionar-nos mais sabedoria, um patrimônio intangível.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Contando um conto



Um monge zen costumava gritar alto todas as manhãs:
Bokuju, onde você está? (Bokuju era o seu próprio nome.)
E ele mesmo respondia: Estou aqui.
E continuava: Bokuju, lembre-se, um outro dia lhe é dado,fique consciente, alerta
e não seja tolo!
E ele mesmo respondia: Sim, senhor, tentarei dar o melhor de mim.
Porém, não havia mais ninguém ali!
Ele perguntava, ele respondia...
Seus discípulos começaram a pensar que ele tinha enlouquecido, mas ele estava somente representando um mono-drama.
E essa é a situação interior.
Você é o que fala e o que escuta, é o que comanda e o comandado.
(Osho)

quinta-feira, 23 de março de 2017

Contando um conto



Era uma vez um jovem que visitou um grande sábio para lhe perguntar como se deveria viver para adquirir a sabedoria.
O ancião, ao invés de responder, propôs um desafio:
- Encha uma colher de azeite e percorra todos os cantos deste lugar, mas não deixe derramar uma gota sequer.
Após ter concordado, o jovem saiu com a colher na mão, andando a passos pequenos, olhando fixamente para ela e segurando-a com muita firmeza. Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido cumprir a tarefa, mostrou a colher ao ancião, que perguntou:
- Você viu as belíssimas árvores que havia no caminho? Sentiu o aroma das maravilhosas flores do jardim? Escutou o canto dos pássaros?
Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não e o ancião disse:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo apenas para cumprir suas obrigações sem usufruir das maravilhas do mundo. Assim nunca será sábio.
Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas desta vez observando tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esqueceu da colher e passou a observar as árvores, cheirar as flores e ouvir os pássaros. Ao voltar, o ancião perguntou se ele viu tudo e o jovem extasiado disse que sim. O velho sábio pediu para ver a colher e o jovem percebeu que tinha derramado todo o conteúdo pelo caminho.
Disse-lhe o ancião:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo para as alegrias do mundo sem cumprir suas obrigações. Assim nunca será sábio.
Para alcançar a sabedoria terá que cumprir suas obrigações sem perder a alegria de viver.
Somente assim conhecerá a verdadeira sabedoria.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Contando um conto



Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro.
O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro.
Sim!, ele exclamou para o velho arqueiro, veja se pode fazer isso!
Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima.
Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro.
Agora é sua vez, ele disse enquanto ele suavemente voltava para solo seguro.
Olhando com terror para dentro do abismo negro e aparentemente sem fim, o jovem não pôde forçar a si mesmo caminhar pela prancha, muito menos acertar um alvo de lá.
Você tem muita perícia com seu arco, o mestre disse, percebendo a dificuldade de seu desafiante, mas você tem pouco equilíbrio com a mente que deve nos deixar relaxados para mirar o alvo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Contando um conto



Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar o fundamento zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
 Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
 Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
 No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
 Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
 – Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
– A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
– O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo.
 A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Contando um conto



Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e sacando da bainha a sua espada, berrou:
– Eu poderia matar-te por tua impertinência!
– Isso é o inferno – respondeu o Mestre
Espantado por ver a verdade no que o mestre dizia, o samurai embainhou a espada e sorriu, fazendo-lhe uma reverência…
– E isso é o céu – disse o Mestre.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Contando um conto



Era uma vez um jovem que visitou um grande sábio para lhe perguntar como se deveria viver para adquirir a sabedoria.
O ancião, ao invés de responder, propôs um desafio:
- Encha uma colher de azeite e percorra todos os cantos deste lugar, mas não deixe derramar uma gota sequer.
Após ter concordado, o jovem saiu com a colher na mão, andando a passos pequenos, olhando fixamente para ela e segurando-a com muita firmeza. Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido cumprir a tarefa, mostrou a colher ao ancião, que perguntou:
- Você viu as belíssimas árvores que havia no caminho? Sentiu o aroma das maravilhosas flores do jardim? Escutou o canto dos pássaros?
Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não e o ancião disse:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo apenas para cumprir suas obrigações sem usufruir das maravilhas do mundo. Assim nunca será sábio.
Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas desta vez observando tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esqueceu da colher e passou a observar as árvores, cheirar as flores e ouvir os pássaros. Ao voltar, o ancião perguntou se ele viu tudo e o jovem extasiado disse que sim. O velho sábio pediu para ver a colher e o jovem percebeu que tinha derramado todo o conteúdo pelo caminho.
Disse-lhe o ancião:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo para as alegrias do mundo sem cumprir suas obrigações. Assim nunca será sábio.
Para alcançar a sabedoria terá que cumprir suas obrigações sem perder a alegria de viver.
Somente assim conhecerá a verdadeira sabedoria.