Mostrando postagens com marcador Ensinamento indigena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ensinamento indigena. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Contando um conto



O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho. O filho se senta sozinho no topo de um montanha por toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.Ele não pode gritar por socorro para ninguém.
Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem. Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido. O menino está naturalmente amedrontado.
Ele pode ouvir toda espécie de barulho. Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele. Talvez alguns humanos possam feri-lo. Os insetos e cobras podem picá-lo. Ele pode estar com frio, fome e sede. O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda. Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.
Finalmente…
Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele estava a noite inteira protegendo seu filho dos perigos…

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Muitas moradas



Eu caminho para dentro e para fora de muitos mundos.

Em minha mente, há muitas moradas.

Cada uma destas, criamos nós mesmos:

  • a morada da raiva,
  • a morada do desespero,
  • morada da autopiedade,
  • morada da indiferença,
  • morada do negativo,
  • morada do positivo,
  • morada da esperança,
  • morada da alegria,
  • morada da paz,
  • morada do entusiasmo,
  • morada da cooperação,
  • morada da doação.

Cada uma dessas moradas visitamos todos os dias. Podemos permanecer em cada uma delas o tempo que quisermos. Podemos abandonar cada uma dessas moradas mentais no momento que desejarmos. Nós criamos a casa, nós ficamos na casa, nós saímos da casa quando bem quisermos. Podemos criar novos aposentos, novas casas. Quando entramos nestas moradas elas tornam-se nosso mundo até que a deixemos por outra.

Grande Espírito, ninguém pode determinar a morada que devo escolher entrar. Ninguém tem o poder para isso, a não ser eu mesmo. Permita-me que hoje eu escolha sabiamente.
(
Oração Cherokee)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Coisas d'alma






Que  suas mãos estejam limpas, para criar bondade.
Que seus pés estejam  limpos, para sentir a pulsação da nossa Terra.
Que se possa limpar a língua, para falar gentilmente.
Que seus olhos sejam  limpos, para ver a luz da verdade.
Que o seu coração possa ser preenchido de compaixão para todos.
Deixe que seu espírito se eleve com os antepassados.
(oração nativa)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Contando um conto



Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.

Ele disse:  Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.
Um é mau - É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.

O outro é bom - É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade,humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:  Qual lobo vence?

O velho índio respondeu: Aquele que você alimenta.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Contando um conto



Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo.
- Nós nos amamos e vamos nos casar - disse o jovem.
- E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã, alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos, que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada.
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e traze-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo - continuou o feiticeiro - deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada. No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.
O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos e viu eram verdadeiramente formosos exemplares.
- E agora o que faremos? - perguntou o jovem - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro. Quando as tiverem amarradas, soltem-nas, para que voem livres.
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros... a águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do voo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.
E o velho disse: Jamais esqueçam o que estão vendo, este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão, se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro. 
Se quiserem que o amor entre vocês perdure,voem juntos mas jamais amarrados.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sabedoria da terra



Terra, ensina-me imobilidade
Como a das tuas campinas imóveis sob a luz.
Terra, ensina-me a sofrer
Como as tuas velhas pedras que sofrem com as lembranças.
Terra, ensina-me a ser humilde
Assim como os brotos são humildes em seu começo.
Terra, ensina-me a ser cuidadosa
Como uma fêmea que cuida dos filhotes.
Terra, ensina-me a conviver com as limitações
Como a formiga que caminha pelo chão.
Terra, ensina-me liberdade
Como a da águia que voa no alto céu.
Terra, ensina-me resignação
Como as folhas que morrem a cada outono.
Terra, ensina-me regeneração
Como as sementes que brotam na primavera.
Terra, ensina-me a me esquecer de mim mesma
Como a neve que derrete para que a vida brote.
Terra, ensina-me a recordar da bondade alheia
Como os teus campos secos quando recebem a abençoada chuva.

(Prece indígena)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Contando um conto



Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que prometemos, o fio de nossa ação que deveria estar concluída e amarrada em algum lugar fica solto ao nosso lado.
Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente... ficamos amarrados às nossas próprias palavras.
Por isso os nativos têm o costume de "por-as-palavras-a-andar" que significa agir de acordo com o que se fala; isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao Caminho da Beleza onde há harmonia e prosperidade naturais.
Saber e não fazer, ainda não é saber.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Pensamentos daqui e dali





A montanha -
torno-me uma parte dela.
As ervas, o pinheiro -
torno-me uma parte deles.
A névoa da manhã,
as nuvens, as águas que confluem -
torno-me uma parte delas.
O sol
que desliza sobre a terra -
torno-me uma parte dele.
O mato,
a gota de orvalho,
o pólen das flores -
torno-me uma parte deles.
(Oração dos Navajos)

sábado, 4 de janeiro de 2014

Porque hoje é sábado



Ouço o sussurro da
pequena e silenciosa voz interior
E percebo o enorme poder
do sagrado mistério que ali reside.

E ali, no seio do mistério,
entre o que é material e o que não é,
Descubro a minha verdadeira essência,
no ponto exato onde os dois mundos convergem.

Ligo-me à minha essência,
ao estado de graça de meu espírito,
enquanto personifico
as lições sagradas que aprendi.

Aqui estou, entre os dois mundos,
com dois Sagrados Pontos de Vista,
Mas ao saber que os dois são apenas um,
minha sagrada jornada recomeça.

(Jamie Sams)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sobre a paz



Os indios Aymara, que habitam há séculos as margens do lago Titicaca, nos Andes, junto com algumas tribos africanas tem um estranho conceito de passado e futuro.
Exatamente ao contrario de nós, o que para nós é passado, para eles é futuro e, com esse conceito defendem a necessidade de sete diferentes tipos de paz. 

A primeira é para dentro de si. Consigo próprio, na saúde do corpo, na lucidez da mente, no prazer do seu trabalho, na correspondência dos seus amores. Sem paz consigo, você não está em paz.
A segunda é para cima. Com o espírito de seus antepassados, com a vontade de Deus. Se você não está em paz com o mundo espiritual, com a essência de sua existência, sua paz está incompleta.
A terceira paz é para frente, com seu passado. A cultura ocidental põe o passado para trás. Já os Aymara põem o passado à frente, porque ele é o conhecido, o visto, o vivido. Se você tem remorsos, dívidas não pagas, culpas, arrependimentos, não está totalmente em paz.
A quarta paz é para trás, com seu futuro. Quem tem medo do que virá, está assustado com dívidas a pagar, com emprego incerto, esperando más notícias, não está em paz.
A quinta é para o lado esquerdo, com seus próximos. Sem a paz familiar, não há paz. A disputa doméstica, o descontentamento com familiares e amigos próximos, tira o sentimento de paz.
A sexta paz é para o lado direito, com seus vizinhos. Não adianta a paz em casa, se do outro lado da rua estão a ameaça, a maldição, o descontentamento.
A sétima paz é para baixo, com a terra que você pisa, de onde virá seu sustento. Se vier tempestade, se o solo secar ou tremer, se não respeitarmos nosso planeta, não haverá paz completa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ouvidos de ouvir

Uma reunião com índios americanos revela um ensinamento importante e urgente.
Agrupados os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Todos calados à espera do pensamento essencial.
Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.
Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais.
Esses pensamentos são estranhos aos demais. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se alguém falar logo a seguir, são duas as possibilidades que se pode pensar.
Primeira: quem falou está dizendo: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua fala.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.
Em ambos os casos, está desrespeitando o outro. 
O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. 
E aí, quando se faz silêncio dentro, começa-se a ouvir coisas que não se ouvia.
(autor desconhecido)