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sábado, 24 de março de 2018

Porque hoje é sábado



Eu pareço ter amado você em inúmeras formas, inúmeras vezes,
em vida após vida, idade após idade, sempre.
Meu coração enfeitiçado fez e refez o colar de canções
que você aceita como presente, usa à volta do pescoço em suas muitas formas,
em vida após vida, idade após idade, sempre.
Quando eu escuto crônicas antigas de amor, é sofrimento amadurecido,
é o conto ancestral de se estar junto ou separado.
Assim que eu encaro mais e mais fundo o passado,
no final você emerge
envolto na luz de uma estrela-cadente
cortando a escuridão do tempo:
Você se torna uma imagem do que é lembrado para sempre.
Eu e você temos flutuado aqui no córrego que flui da fonte,
no coração do tempo do amor de um pelo outro.
Nós temos brincado ao lado de milhões de amantes,
partilhado a mesma doce timidez do encontro,
as mesmas dolorosas lágrimas de despedida –
Amor antigo, mas em formas que se renovam e renovam, sempre.
Hoje ele está guardado à seus pés, ele achou o seu fim em você;
o amor de todos os dias dos homens, tanto passados quanto eternos:
Alegria universal, tristeza universal, vida universal,
As memórias de todos os amores
mesclando-se com esse nosso amor único –
E as canções de cada poeta, tanto passados quanto eternos.

("Amor sem Fim", Rabindranath Tagore)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Coisas d'alma



Dia após dia, desde o início dos tempos, a luz renasce a cada manhã. 
Os primeiros clarões da alvorada se infiltram nos jardins de flores, espalhando no coração dos botões recém-nascidos uma mensagem de esperança: Você ainda o ignora, mas logo suas pétalas se abrirão, seu perfume se difundirá e também você se revelará em toda a sua beleza.
(Rabindranath Tagore)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Luz da semana



Quero a tranquilidade que nos dá um sorriso de criança.
Não o gargalhar sem consciência, que é fuga.
Não o riso cínico de deboche.
Não o riso de desespero que é máscara da dor.
Não o convencional sorriso de quem quer agradar.
Mas a alegria interior a transbordar nos lábios de quem se sente em paz com o irmão, de quem estende a mão amiga sem testemunho, de quem tem a alma estampada na face, de quem ama sem esperar recompensa, de quem sente a felicidade da autodoação, de quem vibra com o sucesso do outro, de quem põe toda a sua vida num sorriso.
Porque o verdadeiro sorriso, aquele sem mácula, só pode brotar de um Ser que se esquece em prol de outrem, que desconhece o egoísmo e sabe o sabor da amizade pura, sem nenhum interesse a não ser o desabrochar do espírito companheiro.
É este o sorriso que almejo, nem que para isto leve a eternidade.
(Tagore)

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Entre aspas







A noite abre as flores em segredo e deixa que o dia receba os agradecimentos.
(Rabindranath Tagore)

sábado, 30 de janeiro de 2016

Porque hoje é sábado



Como as gaivotas e as ondas se encontram,
nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando,
vão pairando sobre as ondas;
e nós também vamos.
Se de noite choras pelo sol,
não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.
Se faço sombra em meu caminho,
é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração,
e não duvido jamais das flores de tua primavera.
(Rabindranath Tagore)

sábado, 28 de novembro de 2015

Porque hoje é sábado



O pássaro domesticado vivia na gaiola e, o pássaro livre, na floresta.
Mas o destino deles era se encontrarem, e a hora finalmente havia chegado.
O pássaro livre cantou: - Meu amor voemos para o bosque.
O pássaro preso sussurrou: - Vem cá, e vivamos juntos nesta gaiola.
O pássaro livre respondeu: - Entre as grades não há espaço para abrir as asas.
- Ah, lamentou o pássaro engaiolado - no céu não saberia onde pousar.
O pássaro livre cantou: - Amor querido, canta as canções do campo.
O pássaro preso respondeu: - Fica junto comigo, e eu te ensinarei as palavras dos sábios.
O pássaro da floresta retrucou: - Não, não! As canções não podem ser ensinadas!
E o pássaro engaiolado gemeu: - Ai de mim! Eu não conheço as canções do campo.
Entre eles o amor era sem limites, mas eles não podiam voar asa com asa.
Olhavam-se através das grades da gaiola, mas em vão desejavam se conhecer.
Batiam as asas ansiosamente, e cantavam: - Chega mais perto, meu amor!
Mas o pássaro livre dizia: - Não posso! Tenho medo da tua gaiola com portas fechadas.
E o pássaro engaiolado sussurrava: - Ai de mim! As minhas asas ficaram fracas e morreram.

(Tagore)

sábado, 31 de outubro de 2015

Porque hoje é sábado



Certa manhã
ia eu pelo caminho pedregoso,
quando, de espada desembainhada,
chegou o Rei no seu carro.
Gritei:
— Vendo-me!
O Rei tomou-me pela mão e disse:
— Sou poderoso, posso comprar-te.
Mas de nada lhe serviu o seu poder
e voltou sem mim no seu carro.

As casas estavam fechadas
ao sol do meio dia,
e eu vagueava pelo beco tortuoso
quando um velho
com um saco de oiro às costas
me saiu ao encontro.
Hesitou um momento, e disse:
— Posso comprar-te.
Uma a uma contou as suas moedas.
Mas eu voltei-lhe as costas
e fui-me embora.

Anoitecia e a sebe do jardim
estava toda florida.
Uma gentil rapariga
apareceu diante de mim, e disse:
— Compro-te com o meu sorriso.
Mas o sorriso empalideceu
e apagou-se nas suas lágrimas.
E regressou outra vez à sombra,
sozinha.

O sol faiscava na areia
e as ondas do mar
quebravam-se caprichosamente.
Um menino estava sentado na praia
brincando com as conchas.
Levantou a cabeça
e, como se me conhecesse, disse:
— Posso comprar-te com nada.
Desde que fiz este negócio a brincar,
sou livre.

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Declare seu amor, seja como for



Não quero amor que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante, que parte o copo e se entorna, perdido num instante.
Dá-me esse amor fresco e puro como a tua chuva, 
que abençoa a terra sequiosa, e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida, e dali se estenda como seiva invisível, 
até aos ramos da árvore da existência, e faça nascer as flores e os frutos.
Dá-me esse amor que conserva tranquilo o coração, na plenitude da paz!
(Rabindranath Tagore)

sábado, 30 de maio de 2015

Porque hoje é sábado



Onde o espírito vive sem medo
e a fronte se mantém erguida;
onde o saber é livre;
onde o mundo não foi dividido em pedaços
por estreitas paredes domésticas;
onde as palavras brotam do fundo da verdade;
onde o esforço incansável
estende os braços para a perfeição;
onde a fonte clara da razão
não perdeu o veio
no triste deserto de areia do hábito rotineiro;
onde o espírito é levado à Tua presença
em pensamento e ação sempre crescentes;
dentro desse céu de liberdade, ó meu Pai,
deixa que se erga a minha pátria.
(Rabindranath Tagore)

sábado, 28 de março de 2015

Porque hoje é sábado



Quando lanço a rede,
para apanhar as melhores coisas da vida,
estas me escapam.
Não sei para onde.
Quando lanço em
busca da virtude,
que forma a mim mesma,
são as coisas boas da vida,
que batem à minha porta.
(Rabindranath Tagore)

domingo, 8 de março de 2015

Mulher

Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de ouro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu ouro,
sua flor os jardins do verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.
(Rabindranath Tagore)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Coisas d'alma







Que é isso que aperta meu peito?
Minha alma quer sair para o infinito ou a alma do mundo quer entrar em meu coração?
 (Tagore)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O coração da primavera


Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

(Rabindranath Tagore)

sábado, 14 de junho de 2014

Porque hoje é sábado



Não peça eu nunca para me ver livre de perigos, mas coragem para afrontá-los.
 Não queira eu que se apaguem as minhas dores, mas que saiba dominá-las no meu coração. 
Não procure eu amigos no campo da batalha da vida, mas ter forças dentro de mim. 
Não deseje eu ansiosamente ser salvo, mas ter esperança para conquistar pacientemente a minha liberdade. 
Não seja eu tão covarde, Senhor, que deseje a tua misericórdia no meu triunfo, 
mas apertar a tua mão no meu fracasso!

(Rabindranath Tagore)

sábado, 21 de setembro de 2013

Porque hoje é sábado



Como as gaivotas e as ondas se encontram, nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando, vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.

Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.
Se faço sombra em meu caminho, é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração, e não duvido jamais das flores de tua primavera.
Quando o dia cai, a noite o beija e lhe diz ao ouvido:
'Sou tua mãe a morte, e te hei de dar nova vida'.

O mistério da vida é tão grande como a sombra na noite.
A ilusão da sabedoria é como a névoa do amanhecer.
Lemos mal o mundo, e dizemos logo que nos engana.
A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra.
Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei.
Cada criança nos chega com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens.
Elogios me acanham, mas secretamente imploro por eles.
(Tagore)