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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cartas de amor para mim mesmo (última)


XXIII. A morte do nosso corpo

A minha verdadeira forma não é perecível, jamais morrerá.
Nós viveremos para sempre.
Como pode morrer aquele que criou a morte?
Como pode morrer aquele que é a vida?
A morte é uma passagem da nossa forma física para outra forma física ou para qualquer outro estado de evolução em que nós possamos manifestar aquilo que levamos dentro e aquilo que nós verdadeiramente somos: Deus, nós mesmos.
Qualquer forma que nós assumamos será sempre uma manifestação de Deus em nós e seremos sempre a criação.
Como forma que adquirimos neste momento, como seres humanos, temos a possibilidade de demonstrar e aprender na nossa forma humana, como pedra ou vegetal o processo é o mesmo, estamos numa forma física, neste planeta, para aprender e demonstrar o que levamos dentro.
A nossa vida é a demonstração do divino em nós.
A nossa vida é o divino. Nós somos o divino.
Dividimo-nos em vários para nos podermos amar a nós mesmos, para podermos experimentar a criação a que chamamos amor.
Mas isso não é separação porque continuamos a ser nós mesmos, para além do mundo e aparência da forma.
Qualquer que seja a forma que nós experimentemos, seremos sempre nós mesmos, e o objetivo final é nós amarmo-nos a nós mesmos, na forma que possuímos, seja ela qual for.
Nascemos para manifestar o divino em nós.
Nascemos para amar os outros em nós mesmos.
Nascemos para amar os outros neles mesmos.
Nascemos para amar toda a criação, porque fomos nós que tudo criamos.
E toda a criação existe porque nós existimos, porque se nós não existíssemos, nada existiria.
Tudo o que existe é uma manifestação de nós mesmos.
E como esse pensamento é grandioso e inconcebível para o ego limitado.
Nós restringimo-nos e limitamo-nos a nós mesmos quando quisermos ser diferentes, quando usamos o nosso livre arbítrio para sermos diferentes e criamos algo separado de nós, que julgamos ser a nossa verdadeira identidade.
Mas a ilusão acabou.
Neste momento podemos fechar as nossas pálpebras e ser protegidos nas asas Daquele que jamais morre, Daquele que tudo é e por quem e em quem tudo existe e tudo tem o seu descanso.
A nossa forma física pode extinguir-se e irá extinguir-se, porque foi criada com um propósito e pertence ao plano físico, mas nós jamais morreremos ou seremos afetados por isso, por mais vezes que morramos, jamais morreremos e permaneceremos intactos, imperecíveis, invulneráveis, aguardando uma outra forma física, angélica ou uma outra forma qualquer de manifestação de nós mesmos.
Nós somos completamente invulneráveis e nada nos poderá afetar.
Quando dizemos Eu Sou, falamos do nosso interior, da nossa alma e não da nossa forma física, essa é vulnerável.
O que levamos dentro jamais perecerá, porque é feito de matéria invulnerável.
Como pode a mente conceber a idéia do eterno?
O que é ser eterno?
É algo inconcebível para o sistema intelectual.
Ser eterno é ser uno com tudo o que existe.
A morte significa evolução, é a etapa final da evolução e de uma manifestação temporária apenas.
Há sempre morte para o que está vivo, é uma das leis da matéria.
Mas não há morte para aquele que vive, para aquele que é a vida, pois esse é imperecível.
As outras formas físicas podem extinguir-se, mas aquilo, que somos nós mesmos, que existe dentro delas, jamais se extinguirá, porque é imperecível, invulnerável, e sempre estaremos de encontro uns com os outros, porque o que está para além delas e no interior delas somos nós mesmos, e não precisaremos de nos encontrar conosco mesmos, por nós somos tudo e tudo existe em nós.
Todas as coisas físicas podem extinguir-se e desaparecer, e o farão, em seu devido tempo, porque essas sim, tal como a nossa forma física, são perecíveis, mas o que de divino, que somos nós mesmos, que existe por detrás delas, e que é a sua verdadeira realidade, jamais se extinguirá e viverá para sempre, continuará vivo, sempre vivo, porque não existe morte para quem não concebeu a morte e para quem não vive na morte, ela só existe para trocar a forma de manifestação, quando esta já não serve para o fim que foi criada e para quando a aprendizagem tiver sido concluída.
Terminado esse ensinamento e manifestação, através dessa forma, a mesma desaparece para haver lugar a outra e a uma nova forma de manifestação.
E este ciclo repete-se infinitamente, porque não há finito para O Que É Eterno.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XXII. O Céu e o inferno

O céu e o inferno são estados mentais.
Não passam disso.
Todas as alegorias a respeito do céu e do inferno são alegorias de estados mentais.
O céu sempre foi simbolizado como um lugar de pureza e leveza, como um lugar de serenidade e paz, como um lugar onde tudo seria perfeito e onde o sofrimento não existiria.
Esse céu é conseguido no Estado de Presença, no estado de recordação de nós mesmos e de não identificação com o ego.
Quando nos lembramos de quem verdadeiramente somos, para além da forma física ou do corpo, quando nos lembramos daquilo que existe dentro de nós, para além dos nossos pensamentos, então estamos verdadeiramente no céu.
O inferno é representado muitas vezes por um lugar obscuro, envolto em névoas cinzentas e ardentes, onde existe um fogo eterno que consome os pecadores.
É descrito como um lugar de sofrimento e penas intensas, de atrozes gritos e atos de tortura, onde impera a dor e o desespero, o conflito, a guerra e a destruição.
Esse é o inferno do nosso interior, quando deixamos o ego comandar-nos e quando cremos que ele somos nós, quando nos identificamos com o mundo das formas e com a nossa mesma forma.
O inferno são os nossos pensamentos, as nossas emoções e as nossas ações quando o ego está no comando.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Cartas de amor para mim mesmo

XXI. A vida simples de todo o mundo

A maior parte das pessoas do planeta vive uma vida simples, alternando entre a felicidade e a infelicidade, entre a tristeza e a alegria, acreditando que estes são estados próprios delas e que esta é a sua verdadeira realidade.
Outras pessoas vivem uma vida complicada, alternando entre opostos semelhantes e estados de pensamento mais ou menos negativos e de sofrimento.
E vivem, esperando dias melhores, esperando um dia em que tudo será diferente, em que a tristeza, o infortúnio, a infelicidade e o sofrimento acabarão e que haverá apenas os opostos, como a alegria e a felicidade.
Vivem na esperança de que um dia as coisas poderão mudar, e que o desespero terminará.
Um dia, num longínquo futuro, em que tudo possa ser diferente.
Mas esta é a sua “forma de viver” e quem falar de uma outra forma de viver estará a inventar uma escapatória do próprio mundo em que se vive, porque sempre fomos habituados a viver assim, os nossos pais e os nossos avós sempre viveram assim, bem como todos os nossos antepassados e mesmo os nossos filhos sempre irão viver assim.
Isto é uma certeza quase absoluta. De que outra forma poder-se-ia viver?
Quando se fala numa forma de viver em que não há alegria nem tristeza, nem felicidade nem infelicidade, nem amor nem ódio, nem um outro qualquer conjunto de opostos, que sempre pensamos fazer parte da nossa vida, então o nosso mundo de conflito desmoronaria, o mundo de resistência do ego quebra-se a abrir-se-ia, nem que seja por breves instantes ao novo.
Seria como uma pequena brecha de raios de sol, no meio de uma tempestade, e Aquilo que verdadeiramente somos abriria uma porta no nosso interior e usaria todo o nosso corpo e alargaria os horizontes da nossa mente a uma realidade supra terrestre e, por poucos instantes, recordar-nos-ia mos de
Quem verdadeiramente fomos, somos e seremos.
Iríamos recordar-nos da nossa realidade invulnerável e indestrutível.
Iríamos recordar-nos da nossa verdadeira missão neste planeta e do que estamos aqui a fazer verdadeiramente.
Iríamos recordar-nos, por breves instantes, da nossa verdadeira natureza como seres divinos e como Deus, Ele próprio, e como seus Filhos e carne da Sua carne e sangue Seu sangue. E que Ele e nós somos um só.
Mas estes instantes podem ser mais ou menos breves, dependendo do maior ou menor grau da nossa identificação com o ego.
E, para uns, podem apenas durar uns segundos ou minutos e, para outros, algumas horas ou alguns dias.
Para os verdadeiros iluminados e para os mestres, aqueles que se recordaram de quem são, estes instantes duram continuamente.
Essa é a mestria. Ser mestre é ter a durabilidade contínua destes instantes.
Para a maior parte dos habitantes do mundo viver a dualidade entre os opostos tornou-se a sua vida e pensar num mundo sem opostos, sem resistência e sem conflito é algo inconcebível.
Pensar no Agora, e viver sem a existência de passado e de futuro é inconcebível.
Sem passado, quem seríamos nós?
Sem pensamento num futuro melhor, como viveríamos e que esperança nos restaria?
É inconcebível para a mente egóica imaginar um mundo diferente do que atualmente vivemos, e essa mesma mente, comandada pelo ego, classificaria de imediato, qualquer tentativa de o fazer, como uma manobra evasiva, inventada pela mente, para nos retirar da nossa própria realidade e nos distrair dos nossos verdadeiros problemas e infelicidades, da nossa falta de amor, dos nossos medos e das nossas carências.
Essa mente egóica dir-nos-ia que estaríamos a encobrir a nossa verdadeira infelicidade, que estaríamos a recalcá-la, a inventar um subterfúgio para não sofrer.
Sempre sofremos. Sempre ouvimos dizer que sofrer faz parte da vida.
Quem poderia imaginar um mundo onde o medo, a infelicidade, os conflitos e o sofrimento não existissem?
Só uma mente que não é deste mundo, só uma mente insana o poderia fazer.
Este é o pensamento do nosso ego.
Ele fará de tudo para que os breves instantes de Presença do Eu Sou, permaneçam completamente obscurecidos por debaixo da sua capa de comando.
O ego sabe que está ameaçado por esses breves instantes e que quando os mesmos aumentarem de duração, essa ameaça será muito mais real e mais forte, e é, nessa altura, que ele atacará e se defenderá mais, porque esta é uma ameaça real ao seu domínio e controle.
O ego tentará por todos os meios convencer-nos de que esta é a única realidade, que este mundo de conflito de opostos e sofrimento, ou momentos de prazer e posteriormente de problemas, é a nossa verdadeira realidade, que este é o nosso mundo.
Convencer-nos-á de que viemos cá para ter alegrias e tristezas, para nascer, crescer, gozar os prazeres da vida e que o devemos fazer agora, porque, em breve morreremos, que a nossa vida é curta e tem de ser gozada ao máximo, e se não aproveitarmos a vida então não andamos cá a fazer nada.
Convencer-nos-á de que teremos de constituir família, ter filhos, cuidar dos filhos e logo ter a reforma e aguardar pela morte, recebendo os filhos e os netos, e vivendo os dias finais da nossa vida em tranquilidade.
Ou então convencer-nos-á de que teremos de fazer algo pelo qual sejamos lembrados, ou que teremos de atingir a fama e o prestígio, pois só assim valerá a pena viver.
E a vida resume-se a isto e pensar que ela poderia ser algo diferente não cabe na mente egóica, porque, para além do mais, toda a gente é assim e vive assim, porque teríamos nós de viver de forma diferente?
Os que se elevaram para além do mundo foram aqueles que reivindicaram para si a sua Verdadeira Natureza Divina e os que permaneceram despertos na sua Presença, no estado do Eu Sou, e na sua própria invulnerabilidade, esses são os que viverão para sempre, para além das muitas mortes dos seus muitos corpos.
Nós também poderemos ser assim, quando percebermos que viveremos para sempre, para além do que possa acontecer ao nosso corpo ou aos nossos objetos, ou às pessoas com as quais lidamos no mundo.
Nós já somos assim.
Nós já somos indestrutíveis e invulneráveis e seres completamente eternos.
Nós já somos aqueles que viveremos para sempre.
Basta apenas abrir uma brecha no sistema de pensamento do ego e descobrir, dentro de nós mesmos, aqueles que somos verdadeiramente, descobrir que somos um com Deus, em cada instante que decidirmos sê-lo e em cada instante em que estejamos recordados de quem verdadeiramente somos.
A vida não é composta de felicidade e sofrimento, em alternância.
A vida é o que é.
Ao aceitar a vida como ela é, este tipo de opostos não cabe, não faz sentido.
Aí percebemos a mentira e o engano do ego, pois apercebemo-nos, no nosso interior, que é o ego que cria essa dualidade.
Essa dualidade é apenas uma invenção, um estado de pensamento, e nada mais, nós mesmos damos-lhe a força e a identidade que ela precisa ao materializar esses pensamentos no plano físico.
A nossa vida não é esta, embora pensemos que seja.
A nossa vida está muito para além do que nós pensamos que ela seja.
O pensamento é limitado para poder compreender o significado Daquilo que verdadeiramente somos.
Nós somos Seres Divinos que estamos momentaneamente dentro de um corpo físico, neste planeta.
Essa é a nossa verdadeira realidade e não o contrário.
Alguém dizia em tom de pergunta: Será que é um corpo que tem uma alma, ou uma alma que tem um corpo?
A maior parte de nós pensa da primeira forma, muito poucos pensam da segunda.
Viemos a este plano físico, a este planeta específico, encarnamos nesta forma humana para manifestarmos a nossa verdadeira natureza e para aprender, para ser, para ser aquilo que somos.
Mas ao invés de ser, enredamo-nos no mundo que nós mesmos criamos, quando o ego se manifestou pela primeira vez.
Escolhemos pensar que esta vida é a nossa vida, aquilo que nós verdadeiramente fomos criados para.
Não conseguimos conceber que fomos nós mesmos que criamos estes corpos e tudo o que existe, inclusive todas as ilusões em que vivemos e a nossa própria vida.
Criamos para nós diversos e múltiplos sistemas de regras, de qualificações, de conceitos, de opostos, de formas de viver.
Enredamo-nos no modo de viver como vivemos, sem perceber que apenas “vegetamos”, ou seja, que não vivemos, mas que apenas assistimos ao viver.
Criamos diferentes formas de encarar a vida e tudo o que não esteja de acordo com esse sistema que criamos é considerado como pecado e os pecados variam de continente para continente e o que é pecado num país, no outro não o é considerado.
Inventamos famílias, lares, pessoas que amamos, inimigos, pessoas que odiamos, familiares e não familiares.
Concebemos uma ideia de como deveria ser a vida, como deveria ser a infância e a adolescência, como deveríamos comportarmo-nos como adultos e como deveria ser a nossa velhice.
E, de repente, todo esse projeto de vida é ceifado, em instantes, e tudo parece não fazer sentido.
O que é isto realmente a que chamamos vida, será que a vida é realmente isto ou fomos nós que criamos esta ideia de vida e julgamos que ela deveria ser assim?
A resposta às perguntas: O que viemos cá fazer? Porque é que aqui estamos?
Qual é o verdadeiro objetivo da nossa vida? Pode ser facilmente encontrada.
Nós estamos aqui para Ser e nada mais.
Nós somos uma manifestação Divina e apenas estamos aqui para Ser.
Como compreender este objetivo?
O ego não o pode fazer, mas no Estado de Presença, que significa paz interior e serenidade, poderemos compreender o significado da resposta às perguntas.
O ego também tem muitas respostas e muitas delas parecem quase óbvias e fazem sentido e muitas são magníficas, como as que dizem que estamos no mundo para ajudar os outros, ou que estamos no mundo para amar e sermos felizes, enfim, muitas outras respostas podem ser dadas pelo ego, mas nenhuma delas explicaria o significado da vida, porque a vida não tem significado, ou pelo menos não tem o significado que a nossa mente lhe poderia atribuir.
O único significado da nossa razão de viver é não existir razão.
O único significado da vida é viver.
Como o único significado que poder-se-ia atribuir à morte seria morrer.
Não existe qualquer razão específica para o viver e o morrer, ambos fazem parte do plano divino da criação e ambos são necessários à criação.
Não há que dar bênçãos pelo primeiro e estar de luto pelo segundo, um e outro são complementos de um completo sistema de criação e um não é o oposto do outro.
A morte não é o oposto da vida. A morte é o oposto do nascimento.
Porque para a vida não há nascimento nem morte, a vida é eterna.
O mundo e a vida não são o que nós pensamos do mundo e da vida.
O mundo e a vida são aquilo que são e não o que nós pensamos ou desejamos que sejam ou uma qualquer idéia que façamos do que possam ser.
Enredamo-nos num mundo e numa forma de pensamento sobre o que deveria ser a vida e como algumas vidas são vidas padrão e como alguns de nós mostram aos outros a forma como a vida deve ser vivida.
E sentimos inveja pelas vidas de alguns e damos graças por não ter a vida de outros.
Não há nenhuma forma especial de viver a vida e a vida não pode ser vivida de uma ou de outra forma.
Ninguém pode dizer-nos como a vida deve ser vivida porque não há nenhuma forma específica de a viver.
E poderemos Ser Aquilo Que Somos em todos os aspectos da vida e de todas as formas como a vida poderá ser vivida.
Nós somos a própria vida.
Nós somos toda a criação e todos os múltiplos aspectos da vida.
A experiência do plano físico é uma experiência diferente para Aquilo Que Somos.
É essa a nossa experiência no mundo, sem perder a noção de Quem Somos dentro, nem do que existe no nosso interior.
Quando nos esquecemos da nossa verdadeira realidade e de Quem Somos verdadeiramente, enredamo-nos naquilo a que atualmente chamamos vida, mas que não é a vida.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XX. Quinta afirmação de luz: eu sou a manifestação do corpo de Deus. Eu e Deus somos um só

Eu estou aqui para manifestar Deus em mim. Eu não estou aqui para nada mais.
Apenas estou e vivo para manifestar o que realmente sou, Deus habitando um corpo e forma física, e todos os atributos que Lhe pertencem e para ser um criador com e como Ele, porque Ele criou-me à sua imagem e semelhança.
Nada é feito sem Ele. Tudo é feito por Ele.
E sou eu mesmo que o faço, quando os meus pensamentos são substituídos por pensamentos de Deus, quando não tenho outros pensamentos para além dos pensamentos de Deus.
Toda a manifestação do meu corpo, dos meus sentidos, dos meus pensamentos, das minhas emoções e sentimentos é uma manifestação de Deus.
Todo o meu respirar, olhar, ver, ouvir, observar, atuar, falar, são manifestações de Deus.
Tudo o que faço e porque o faço é uma manifestação de Deus.
Deus está em tudo o que vejo e em todos os que vejo.
A paz interior é o meu mais precioso objetivo.
Eu estou na luz. A luz está em mim. Eu sou a luz.
Deus habita o meu interior, e isso é bom.
Deus alimenta a minha alma, e isso é bom.
Deus me conforta, e isso é bom.
Deus é o meu auxílio e o meu refúgio, e isso é bom.
Em Deus existo e por ele existo, e isso é bom.
Deus está em tudo o que vejo e a minha mente é pura e santificada porque são os olhos de Deus que vêem e não os olhos do ego.
Eu olho para mim mesmo e vejo Deus.
Eu olho para os meus irmãos e vejo Deus.
Eu olho ao meu redor e vejo Deus.
Deus está em tudo o que eu vejo e nada me amedronta, pois tudo é Deus.
Tudo o que eu vejo como errado ou como mau, tudo o que me amedronta, preocupa, me faz infeliz, desesperado, melancólico, deprimido, em estado de ira, com ódio ou inveja, é ilusão, tudo isso é ilusão, são pensamentos, sentimentos e ações do meu ego, é ele que nesse momento pensa, sente e age.
Tudo o que me acontece e me provoca amor e me faz cair e viver num estado de paz interior é porque sou eu mesmo que vejo e vejo, sinto e ajo com os olhos, o coração e as mãos do Criador.
Acredito que o sofrimento não existe, que este é auto-infligido nesta ou noutras existências, e acredito na lei do karma e na lei da misericórdia e da compaixão divina.
Deus é meu Pai e eu sou seu filho.
Como um pai cria um filho e ele nasce do seu semen, também eu nasci do semen de Deus e fui criado no ventre da Mãe Divina, que é um outro aspecto do Pai, e uma própria separação de Deus em Deus, para Ele mesmo se poder amar a Ele mesmo.
Eu, como Filho, sou parte do Pai.
Como também a minha forma física é uma parte do meu pai e da minha mãe.
Eu tenho características físicas de meu pai e de minha mãe, que criaram a minha forma física e compartilho do seu sangue.
Assim, também tenho características do meu Pai, que é Deus, e compartilho do Seu sangue e de tudo o que Ele me deu, quando me criou.
Eu amo-me a mim mesmo e tudo o que faço é maravilhoso.
Eu vivo o agora, o momento presente e honro, acima de tudo, este Instante Sagrado, pois tudo ele me traz, e não há mais nada que possa ter existido ou poderá vir a existir, porque o meu passado estou a recordá-lo neste momento presente e o futuro, quando chegar, será sempre num momento presente.
Eliminei de mim o quero e o não quero, apenas restou o aceito o que é.
Eliminei de mim o desejo e não desejo, apenas restou o que é, o que me dão e o que eu dou a mim mesmo.
Eliminei de mim o odeio e o gosto, apenas restou o amor incondicional.
Eliminei de mim ódios e vinganças, apenas restou em mim o perdão e a compaixão.
Eliminei de mim a crítica e o julgamento, apenas restou em mim a aceitação.
Eliminei de mim a resistência ao que é, apenas restou em mim a rendição.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XIX. Eu Desisto De Lutar

Lutar pelo quê e para quê?
Lutar por um lugar debaixo do sol, onde possamos estar em paz e deixar de sofrer não faz sentido.
Lutamos muitas vezes por ser diferentes do que somos porque não gostamos de nós, das nossas ações, dos nossos pensamentos ou das nossas emoções.
Pensamos sempre que, se fossemos diferentes, se lutássemos por ser diferentes, então as coisas seriam de outra forma, a vida ser-nos-ia mais propicia e deixaríamos de sofrer tanto, ou de evitar as oscilações contínuas entre alegrias e tristezas.
O querer lutar para ser diferente implica não-aceitação e por isso resistência.
Quando se desiste de lutar e se aceita como é, deixa de haver o “terei de ser assim” ou o “deveria ser assim” e deixamos de querer mudar o que quer que seja.
A mudança virá sempre na altura certa, faz parte do caudal da vida e do fluxo da criação.
Quem está num estado de alerta dos seus pensamentos e num Estado de Presença, deixa de querer lutar para mudar o que quer que seja, porque há a aceitação contínua do que é.
E o que poderia ser diferente do que é?
Mesmo que lutemos por mudar o que quer que seja, isso não será uma mudança, mas sim aquilo que é nesse momento.
A luta é típica do ego.
Porque a luta tem origem no descontentamento.
O lutar por querer ser Aquilo que Somos, a nossa verdadeira realidade, sempre fracassará, porque o que obteremos será sempre uma ilusão, uma mentira do ego.
O surgimento desse espaço, relacionado com o que somos verdadeiramente, não provém de lutas, ele surge naturalmente, quando deixamos que seja o que é, simplesmente, deixando, afundando-nos na sua imensa realidade, deixando que nos absorva e nos trague completamente, libertando-nos de armas, com as quais usualmente lutamos.
Quando se luta, há sempre armas envolvidas e no nosso espaço interior também as há.
Essas são as armas do ego, porque Quem Somos não precisa de armas, porque não luta.
Essas armas podem ser de vários tipos, mas são sempre armas com as quais o ego se equipa para lutar.
É uma forma dele subsistir dentro de nós.
Ele comanda um exército imenso.
Ele luta contra ele mesmo, contra inimigos que ele próprio inventou.
Luta dentro de nós, contra nós mesmos e contra os outros.
O ego vê sempre inimigos no mundo que existe e é sempre vítima desses “inimigos” inventados.
O ego nunca vê amor em nós ou no exterior.
Ele luta pela perfeição das suas próprias armas e dos seus próprios conceitos.
Mas a maior parte das vezes desconhece que essa luta será inútil quando descobrirmos que não há realmente nada pelo qual lutar, que o lutar não faz sentido, que não há inimigos, que somos todos um só.
Para o ego a unicidade é altamente mortífera.
Como poderíamos lutar contra alguém quando soubéssemos que dentro desse alguém estamos nós mesmos, que ambos fazemos parte de uma mesma Realidade Divina, que somos nós mesmos?
Poderia haver algo mais insensato do que alguém lutar contra si mesmo?
O ego cria teorias de separabilidade e a ilusão da separação para poder lutar, ignorando que luta contra si mesmo em muitas situações.
Esta ilusão da separação é criada para ele se poder alimentar, porque ao existir a separabilidade, há lugar para a existência de algo separado de algo, e poder-se-á criar assim a ilusão de que esse algo do qual estamos separados, é algo ameaçador e que nos quer constantemente atacar.
É dessa ilusão de ataque que se forma o alimento para a entidade ego.
Ao atacar ele está a alimentar-se e a nutrir-se, cada ataque ou ilusão de defesa, cria uma forma de subsistência para o ego.
É desta forma que ele se mantém em nós.
O ego luta por querer mais e mais, porque nunca está satisfeito com o que tem.
A insatisfação é uma das forças motivadoras do ego.
Ele procura sempre mais para se satisfazer.
Não há nada que exista que o possa satisfazer.
Ele vive da carência e do medo.
Estes dois aspectos trazem sempre insatisfação contínua.
E é nessa procura incessante pela satisfação que o ego nos mantém iludidos e prisioneiros.
Somos prisioneiros de nós mesmos.
Criamos a nossa própria prisão e aprisionamo-nos no seu interior.
Criamos as próprias algemas e correntes com que nos prendemos e julgamos serem sempre os outros ou os acontecimentos os causadores dessa nossa prisão e da nossa falta de liberdade.
 
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XVIII. A procura

Este é o sentimento de quem procura: procuramos por nós mesmos.
E nunca nos encontraremos porque não há nada para procurar nem nada para encontrar.
Tudo já existe, porque nunca nos abandonamos a nós mesmos, apenas criamos a ilusão de que o fizemos.
E isso é apenas uma ilusão e nada mais.
Apenas uma ilusão, um véu de névoas e sombras que desaparece com a luz, porque não resiste à luz.
O medo que o ego tem da luz é o mesmo medo que ele tem de viver nas trevas e, no entanto não sabe que aí vive porque fez desse mundo o seu mundo.
O ego tem medo da luminosidade que é lançada sobre ele com estas palavras de luz e tende a considerá-las como desprezíveis e sem importância, porque simplesmente o ameaçam, ameaçam a sua supremacia, domínio e superioridade sobre o nosso corpo, sentimentos e pensamentos.
Ele quer ser rei e senhor e algo como estes pensamentos e palavras o afetam.
Como poderá ele subsistir e viver se acreditamos que toda a força existe em nós?
Como poderá ele subsistir sem guerras, conflitos e batalhas, tanto internas como externas?
O ego vive da oposição e da dualidade, é isso que lhe dá vida e que lhe dá força e são os seus impulsos motivadores e a força geradora da sua energia e da sua vitalidade.
Se nós lhe retiramos essa força, então o ego acaba por perder energia e sentido de viver.
Há momentos em que alguns egos nos levam mesmo para baixo, digo alguns, porque realmente eles são plurais, a separação Daquilo que Sou Eu Mesmo produziu um ego que assume o controlo, mas este ramifica-se em muitos.
São os muitos eus, as muitas vontades, os muitos pensamentos e sentimentos que habitam em nós, e cada um deles em determinado momento quer assumir a supremacia por uma parte de nós, seja pelo coração, pelo pensamento ou pela ação.
Aí é que eles são descobertos, porque podemos saber e sentir em nós que eles lutam entre eles mesmos pelo domínio e nunca estão em paz, estão sempre em conflito constante, por isso, por esse sabor, os reconhecemos, e podemos exterminá-los de nós mesmos.
Essa é uma deixa e uma forma de reconhecermos o ego, pelo conflito interno que eles deixam.
Nós mesmos, aquilo que forma a nossa verdadeira realidade, Deus em nós, jamais está em conflito, como podemos estar em conflito com nós mesmos?

Como podemos estar em conflito com o que somos, se nós somos tudo o que somos?
Nós, no Estado de Presença constante avistamos pensamentos em nós dos quais nos deveríamos, muitas vezes, rir e achar-lhes piada, porque não passam de ilusões e mete-medos, esses pensamentos são tão verdadeiros como o futuro que nos espera, ou seja, não existem.
Esses pensamentos que temos, quando vemos tudo e todos com a nossa mente egóica, são ilusões, e, por isso, muito do mundo que nós vemos é uma ilusão.
Um mundo criado pelos nossos pensamentos, uma esfera de pensamentos e emoções errados, ações alvo da manipulação de nós mesmos pelo nosso ego, que acreditamos ser a nossa verdadeira realidade, sem a percepção de estarmos identificados com ele.
Chegou o momento de decidirmos e sabermos que esse ego não somos nós mesmos, que o criamos e que é ilusório.
Isso leva-nos a concluir que todo o nosso mundo é ilusório e por isso não lhe devemos dar tanta importância.
Não devemos dar tanta importância aos nossos pensamentos, às nossas emoções e às nossas ações, quando neles existe conflito, quando neles existe preocupação, quando neles existe tristeza e desarmonia, quando neles existe sofrimento, porque agora sabemos que não são verdadeiros e não são verdadeiramente nossos, não são parte do que nós realmente somos e são invenção de uma entidade que, ela própria é ilusória e falsa, mas que sempre acreditamos sermos nós mesmos.
Podemos ouvir o nosso coração em todos os segundos da nossa vida e ele é a porta aberta para o interior de quem nós realmente somos.
Deus é amor e no nosso interior habita Deus e é lá que nós podemos encontrar o amor.
Nós temos forma e movemo-nos através da nossa forma, mas a nossa manifestação na forma não tem forma.
A nossa manifestação no espaço, não tem espaço.
A nossa manifestação no tempo, não tem tempo.
O que nós mesmos somos, a nossa verdadeira identidade, não possui identidade.
Não tem nome. Não tem cor, cheiro ou sabor.
O que nós realmente somos não gosta ou desgosta, não vê o mau nem o bom, não concebe o amigo ou o inimigo, não procura dar nem receber amor…
A nossa verdadeira realidade é o que é, é o que existe, é o que sempre existiu, é o que sempre existirá.

 (Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XVII. Eu não me preocupo. Eu não vivo o passado. Eu não vivo o futuro. Eu vivo o momento

Em relação às preocupações, nós sempre somos preocupados com tudo, com o que poderia acontecer se ficássemos sem dinheiro, com o emprego, com a família ou os amigos, com as nossas relações sentimentais, mas o que é isso, qual é a verdade da preocupação?
A preocupação só existe porque o ego não nos deixa viver neste momento e aceitar tudo o que é neste momento e porque o ego tem medos e carências, porque é assim que ele nos faz viver, para que nos possa dominar e usar à sua vontade a nossa mente, o nosso coração e o nosso corpo, e, desta forma subsistir, sobreviver e manter-se vivo.
Ele quer estar em comando e conosco mesmos ocupados na preocupação e com medo, subjugados à preocupação, e pensando no que pode acontecer, então não pensamos nele nem em como ele nos está a utilizar porque estamos ocupados preocupando-nos.
E pensamos sempre que tudo isto é que é o nosso verdadeiro mundo e a nossa verdadeira realidade.
Essa é a ilusão egóica.
Essa preocupação com algo que ainda não aconteceu é uma das coisas que sempre nos perturba e afeta a nossa paz de espírito.
E depois há todos os filmes mentais desenvolvidos pelo ego para reforçar essa preocupação, ele faz-nos pensar nas coisas mais impossíveis de acontecer e sentir as coisas mais impossíveis de sentir, porque o futuro é incerto, porque ainda não aconteceu, e só quando acontecer, só quando nós estivermos nesse momento, é que saberemos lidar com essa situação.
Antes, como saberemos lidar com a situação?
Só o medo e a carência podem explicar como nós nos preocupamos e como o ego nos faz ter pensamentos que não existem.
Ele precisa viver no medo para se manter vivo, porque sem medo é uma entidade morta.
Ele alimenta-se do medo.
Podemos mesmo dizer que o futuro não existe, porque quando vier a acontecer será um momento, Esse momento, e não um futuro, isso é uma ilusão do ego preocupado, medroso e carente.
Nós não somos assim, a nossa verdadeira natureza e realidade não é assim.
Isso é algo que nós inventamos para nós mesmos, quando nos identificamos com a nossa forma física, com o nosso corpo.
Algumas das pessoas que surgem na nossa vida e às quais nos apegamos, são pessoas que nós adquirimos para nós mesmos para suprir a falta e a carência que o ego nos fez pensar que temos.
Nós já somos completos.
E tudo em nós já é perfeito quando pensamos, vemos, sentimos e agimos com a mente de Deus, que somos nós mesmos.
Sofremos até chegarmos à conclusão de que não necessitamos do sofrimento, quando chegamos à conclusão de que o sofrimento já não faz sentido e que somos nós que nos torturamos a nós mesmos e infligimos esse sofrimento a nós mesmos, então aí, esse sofrimento cessa porque descobrimos o ego, conseguimos iluminá-lo com o nosso pensamento em nós mesmos, que é o mesmo que pensar em Deus e quando nos sentimos e nos amamos a nós mesmos, que é o mesmo que amar Deus.
Nós não somos vítimas do mundo que vemos, nem nada ou ninguém nos pode fazer sofrer, porque o sofrimento não existe em nós, porque perfeição e sofrimento são incompatíveis e onde existe algo não pode existir a outra parte.
Ou existe uma coisa ou a outra.
E se não existe uma coisa ou a outra então existe o vazio, e o vazio é sinônimo de paz.
Se existe o amor, o medo não pode existir, se os nossos pensamentos, emoções, sentimentos e ações estão cheios de amor, como pode em nós existir o medo?
O medo é o oposto do amor.
Se todo o nosso corpo e cada segundo do nosso dia estão cheios de amor, como pode existir o ódio ou o medo?
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)


terça-feira, 10 de julho de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XVI. Quarta afirmação de luz: Eu Sou filho de Deus. Eu Sou Deus

Eu sou Filho de Deus e Um com Deus, logo eu sou Deus.
Cada pessoa que eu vejo tem Deus dentro de si, por isso também é Filho de Deus e Um com Deus.
Como posso eu ter ódio, sentimentos ou pensamentos de vingança ou ira com alguém que também é Deus?
Se essa pessoa ou o que quer que seja tem Deus dentro dela e é Deus e Deus é tudo o que existe e nada mais existe para além de Deus, então essa pessoa, ou o que quer que seja, também sou eu, e existe em mim, e eu nele, porque se Deus e eu somos Um, então eu sou tudo o que existe e estou presente em todas as pessoas e em tudo o que existe.
Como posso eu então ter ira por outra pessoa?
É como ter ira de mim mesmo.
Como posso eu ter ódio ou não sentir amor por outra pessoa?
É como ter ódio de mim mesmo ou não sentir amor por mim mesmo.
Como posso eu fazer mal, prejudicar ou magoar outra pessoa ou o que quer que seja?
É como se o estivesse a fazer a mim mesmo, porque ele e eu somos um só, uma só carne e uma só alma, pertencemos à unidade, somos Deus e somos Um e não somos separados.
A separação só existe para o ego, que quer ser mais ou menos, melhor ou pior, bom ou mau, ter e não ter, ser e não ser…
Acredito que todos os opostos pertencem ao ego, por isso, quando sinto muita alegria e depois tristeza, sei que essa alegria pertenceu ao ego, porque senão, depois, não ficaria triste.
Acredito que, quando sinto amor por alguém e logo ódio, isso que senti não podia ser amor, porque não é possível amar e odiar a mesma coisa, só o ego o faz.
Decido Amar-me a mim mesmo todos os dias, todas as horas e todos os instantes da minha vida.
Eu amo-me e adoro-me em todos os momentos da minha vida porque Deus manifesta-se em mim e através de mim.
E quando me amo, amo tudo o que criei e toda a criação, porque amo-me a mim mesmo, o que é o mesmo que amar o criador de todas as coisas.
Eu sou a criação mais perfeita de Deus.
Eu fui, como todos, criado à imagem e semelhança de Deus, por isso tudo o que Ele pode, eu posso, tudo o que Ele pensa eu penso, tudo o que Ele sente eu sinto, porque Ele e eu somos um.
Eu gosto de mim acima de tudo, porque eu sou a criação mais completa e perfeita de Deus, sou a sua obra mais maravilhosa.
Eu fui criado para que Deus se pudesse manifestar neste planeta, nesta forma física.
Eu sou Ele, habitando um corpo e uma forma física, habitando um planeta com forma física.
Eu sou Ele, quando demonstro amor e compaixão.
Eu sou Ele quando tenho paz interior em mim mesmo e a transmito à minha volta.
Eu sou Ele e Ele manifesta-se através de mim quando o ego não está presente e sei, dentro de mim mesmo, que não estou separado dele.
Eu sou Ele, quando acredito que O tenho em mim e que Ele habita todas as células do meu corpo e quando vivo sem condicionalismos do meu ego, que criei para mim mesmo, pensando que seria melhor ao me separar da Fonte, porque como Deus, que é o criador, eu também sou o criador e criei o ego e a separação, essa é a minha criação mais imperfeita e a minha maior prisão.
E, durante anos e anos, que também foram criados por mim, enredei-me nesta separação, jamais lembrando-me de mim mesmo e de Deus dentro de mim.
E criei mundos de pensamentos, emoções e sentimentos de medo e carência porque acreditei estar separado e isso metia-me medo, porque deixei de acreditar na minha invulnerabilidade como um Ser completo.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XV. A tudo obedecer. A tudo se render. Tudo aceitar

Há um lema que poderíamos adaptar na vida e que é: a tudo obedecer, a tudo se render, tudo aceitar.
Porque não há mais nada que nós possamos fazer ou modificar.Tudo está nas mãos de Deus e isso é uma verdade. E isso é o mesmo que dizer, que tudo está nas nossas mãos.
Não há nada que nós possamos controlar, porque o controle é do ego, devemos deixar que tudo seja como é e como não há bom nem mau, tudo é como é, e isto não é um conceito da mente, a nossa mente egóica não pode entender este conceito nem compreende-lo, pode dizer-nos que é errado e que são pensamentos “cor-de-rosa” e que estamos a disfarçar a realidade e a tentar colori-la e que tudo está lá fora para nós resolvermos e que os problemas não são resolvidos desta forma e que há que tomar providências para resolver as coisas e preocupar-nos com o que vai acontecer…
Mas nada disto é que é real, é exatamente o contrário do que os nossos pais nos ensinaram e os pais deles lhes ensinaram a eles e o mesmo se repetiu com os seus antepassados.
É exatamente o contrário do que a maior parte das pessoas do mundo pensa e age.
É exatamente o contrário da forma como estamos habituados a ver tudo aquilo que pensamos ser a realidade.
É exatamente o contrário, isso é que é ilusão, e o que nós realmente somos, sem a presença do ego, é que é a verdade e, nesse estado, não existem problemas, porque um problema é estar em conflito com alguma coisa e o que existe de verdadeiro em nós não está em conflito com coisa alguma.
Como podemos estar em conflito com algo que nós mesmos criamos?
Esta forma de ver a vida, não são atitudes de pensamento positivo, é algo muito para além disso.
O ego também pode pensar positivo e continuar igual, porque está do “lado bom”, mas quando vier o “lado mau”, então esse pensamento positivo não terá significado, tal como não tem significado pensar no que é bom, nem no que é mau, apenas tem significado pensar no que é.
Devemos praticar a rendição em todos os momentos da nossa vida e tudo o que venha a nós devemos aceitar, porque faz parte de nós mesmos, nada do que nós vejamos ou do que nós sintamos ou do que nós façamos ou do que nós pensemos, faz parte de algo para além de nós mesmos, mesmo o nosso ego fomos nós mesmos que o criamos e mesmo ele faz parte de nós mesmos.
Apenas nunca percebemos que ele estava a separar-nos da verdadeira realidade e, por ter sido uma criação nossa, iludiu-nos na ilusão de que ele era nós mesmos e não uma criação que fizemos, pelo nosso livre arbítrio e pela liberdade que temos de criar e destruir, como o faz o nosso Pai.
O Pai não está em nenhum lugar secreto, afastado e mais alto, inatingível, nem é nenhum ser amedrontador e de que precisamos venerar e recear, o Pai somos nós mesmos, sou eu mesmo e o meu Irmão, o Pai é tudo o que existe e basta sentir um pouco o mais íntimo do nosso coração para lá o encontrar, basta parar um pouco, deixar a luta e o conflito para o encontrar.
Esse é o lugar secreto em que está o Pai. O nosso coração.
O Pai não é Alguém a quem retornarei um dia, num futuro remoto, depois de me “auto realizar”, porque isso não existe, isso é mais um escape do meu ego, com que me ilude para não descobrir a farsa que ele é e no que me fez cair.
Uma farsa que pode durar uma vida ou várias vidas, vivendo incessantemente, reencarnando incessantemente, sem visão do direito a escolhas, porque, vivendo nesta ilusão, não podemos escolher, porque a escolha não faz parte das opções do ego, isso seria ameaçar a sua supremacia e domínio, a escolha não cabe na mente egóica, porque a escolha traz liberdade, poder e força, e a reivindicação de quem realmente somos, da nossa verdadeira força e do nosso real poder.
Para o ego, escolher é sair do mundo limitado e de medo que ele cria e que nos faz pensar que é nosso.
Escolher é uma ameaça ao sistema limitado, incompleto, inseguro, negligente, amedrontador e de trevas em que o ego vive e ele fará tudo para que nós não escolhamos e lança pensamentos de medos na nossa mente e sentimentos de carência no nosso coração e ações de dor nas nossas mãos.
Ao possibilitar o RENDER, OBEDECER e ACEITAR, permitimo-nos escolher e essa escolha quebra a concha dura do ego.
Ao nos rendermos, deixamos que as coisas sejam como são e não como nós desejaríamos que fossem, deixamos de fazer planos para o que nós gostávamos que fosse e não como tudo é, em relação aos acontecimentos, como em relação às pessoas na nossa vida ou nos nossos relacionamentos.
Ao nos rendermos trazemos paz para a nossa alma e para o nosso interior, e possibilitamos que a paz interior tome do nosso corpo a sua morada permanente.
Ao nos rendermos não sofremos, porque não criamos expectativas do que deveria ser e tudo é como é, como poderia ser de outra forma?
Ao obedecer, deixamos que o caudal da vida circule e nos traga e leve tudo o que tem para trazer ou para levar, mais uma vez deixamos que a vida seja tal como é, e não como nós faríamos idéia que fosse.
Ao obedecer, respeitamos as leis do universo e tudo o que nele existe e deixamos que tudo o que o nosso Pai criou e nós, com ele, se manifeste na sua perfeição ou na imperfeição do ego, quando permitimos que ele atue através de nós.
Quando obedecemos, permitimo-nos fazer a vontade do Pai e deixamos que a sua vontade tome conta de nós e nos proteja nos seus braços e proteja a nossa forma física e todas as formas físicas em nosso redor.
Ao aceitar, tudo se transforma em harmonia e equilíbrio porque não resistimos, não oferecemos resistência, como poderíamos resistir aquilo que é se o que é será sempre, quer nós desejemos querer ou não?
Quando aceitamos, a concha do ego é quebrada, porque, sendo ele resistência e conflito, quando aceitamos e deixamos que tudo aconteça, então o conflito desaparece para dar lugar à paz interior.
Quando existe uma coisa não pode existir a outra, quando existe paz interior, não pode existir conflito.
Quando aceitamos tudo como é, os acontecimentos, as pessoas, os relacionamentos, então deixa de haver dor, porque não oferecemos resistência, a dor só existe quando existe resistência, inclusive resistência à própria dor.
Quando deixamos que a dor exista, que a dor Seja, e a aceitamos, vamos sofrer para quê?
O aceitar da dor é o limite do sofrimento, quer físico, quer emocional.
Pela aceitação da dor, provocamos a quebra na cadência de pensamentos, emoções ou sensações físicas que nos causam sofrimento, e aí, nesse Espaço de Aceitação, abre-se um Poder muito para além de tudo o que estamos habituados a ter, uma dimensão de serenidade e atingimos a ausência da própria dor.
O que está para além da dor? Alguém pode responder?
O que está para além da aceitação da própria dor, daquilo que nos faz sofrer?
Permitam-se aceitar a dor e verifiquem por vocês mesmos o que existe para além do sofrimento.
Os problemas da vida e a falta de paz interior na nossa vida surgem quando não nos permitimos RENDER, OBEDECER e ACEITAR e vemos tudo como um problema e desespero porque as coisas não se resolvem ou as coisas não são como são, ou esperamos mais de algum acontecimento ou de alguém e esse acontecimento e esse alguém não são aquilo que nós esperávamos que fossem.
A criação é tão gigantesca e os acontecimentos estão tão interligados que, oferecer resistência ao que está a acontecer, desobedecer ou não aceitar o caudal da vida, é o que pior podemos fazer a nós mesmos e aos outros porque há uma lei divina que tudo regula, que tudo cria e que tudo faz fluir, movimentar, criar, destruir e evoluir, e a criação é tão imensa, mundos dentro de mundos, acontecimentos dentro de acontecimentos, vidas dentro de vidas, mundos sem espaço e sem tempo, galáxias e universos onde se sucede tanto, e, até dentro de nós mesmos há tanto a acontecer, tanto em cada segundo e isso multiplicado por bilhões de seres…
Dentro do ar que respiramos acontece tanta coisa, dentro da água e de cada elemento os acontecimentos sucedem-se sem parar.
A criação é uma esfera gigantesca em constante criação, criação dentro da criação.
Como poderemos nós querer controlar o que acontece dentro desta realidade tão imensa?
Só podemos alegrar-nos por sermos parte dela e sermos presentes em cada momento em que ela acontece.
E aprendermos a deixar fluir em nós o caudal da vida e tudo o que ele trás com ele, não rotulando, julgando ou emitindo considerações, opiniões, argumentos, sobre o que realmente não temos controlo, porque o controlo provém do ego, pois só quem não acredita no seu potencial divino pode querer controlar, porque a origem do controlo é o medo e a insegurança.
Quem não controla, aceita.
Quando sabemos que somos um recipiente de energia divina, e que somos Deus e divinos, e que a nossa forma física e tudo à nossa volta não serve para nos fazer de vítimas, mas para realizarmos a criação divina, então tudo parece fazer sentido, menos para o ego, que continua a não perceber nada disto, porque a sua capacidade de percepção é muito limitada e sabe que estes são conceitos de destruição e uma ameaça para ele.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Cartas de amor para mim mesmo


XIV. Eu dou a mim mesmo aquilo que exijo dos outros

Os nossos problemas com os outros ou com qualquer acontecimento são porque não damos a nós mesmos aquilo que estamos a exigir desse outro ou de qualquer acontecimento.
Quando decidimos optar pelo amor a nós mesmos, pelo não julgamento de nós mesmos, pelo terminar do sistema de culpabilização de nós mesmos, então deixamos de exigir aquilo que não damos a nós mesmos do outro ou de qualquer acontecimento.
Quando nos amamos, não exigimos que o outro nos ame, porque já estamos cheios de amor dentro de nós mesmos, mas mesmo assim, este amor por nós mesmos, por quem realmente somos, é alcançado por outros, que o podem sentir em menor ou maior grau, e, nós mesmos, podemos demonstrar, através da nossa forma física, esse amor por diferentes pessoas em menor ou maior grau.
Então deixamos de exigir, porque não precisamos de nada mais, porque encontramos dentro de nós mesmos o que precisávamos, e demos a nós mesmos o que precisávamos.
O que acontece, em linguagem figurada, é que procuramos primeiro o Reino de Deus e depois tudo o resto nos foi dado por acréscimo.
No estado de contato com o Reino de Deus, o Nosso Interior, nada mais podemos desejar, porque aí existe tudo o que possamos querer ou desejar, aí tudo existe e tudo está contido.
Quando nos amamos, deixamos de exigir amor.
Quando nos amamos, deixamos de exigir que os outros nos amem.
Um dos maiores sofrimentos que temos é acharmos que os outros não nos amam da forma como nós os amamos.
Parece que temos sempre tanto amor para dar e que os outros não nos correspondem.
Através do estado de presença e da recordação de quem somos, logo descobrimos que esse amor, isso a que chamávamos de amor, afinal eram apegos e necessidade de nos amarmos a nós mesmos, e a falta de algo que não damos ou que recusamos a nós mesmos.
Ninguém nos ama ou amará como nós nos podemos amar a nós mesmos.
Ninguém nos dá ou nos consolará ou nos dará maior prazer, do que aquele que nós podemos dar a nós mesmos.
Ninguém o poderá fazer.
E viver dia a dia neste procurar incessante, jamais nos trará um amor que corresponda às nossas expectativas, pois as nossas expectativas estão erradas logo no início, ao serem expectativas.
Esperar que os outros sejam aquilo que nós queremos era, por si só, um catalisador de sofrimento, pois havia uma parte da dualidade: a expectativa do que seria, e, como em todas as dualidades do ego, o querer que as coisas sejam de determinada forma gera sofrimento, porque as coisas nunca são como nós queremos, mas sim como são.
A exigência pelo que os outros nos possam dar ou satisfazer, ou a espera de que algum acontecimento nos possa trazer a felicidade ou dar prazer, é geradora de sofrimento.
Também não devemos exigir de nós mesmos, devemos procurar deixar que as coisas se desenvolvam de forma natural e harmoniosa, seguindo o caudal de vida.
Mais uma vez, desejar que qualquer coisa seja diferente do que é, gera sofrimento.
Devemos procurar fazer tudo o que nos agrade, sem exigir nada em troca e sem exigir que a pessoa com quem temos uma relação nos dê aquilo que nós recusamos dar a nós mesmos.
Sempre exigimos dos outros aquilo que nunca demos a nós mesmos e quando eles falharam ao nos dar isso que nós exigimos, ficamos de mal com eles, sem saber que estávamos a ficar de mal conosco mesmos, porque o que nós queremos mesmo é dar-nos a nós mesmos aquilo que exigimos dos outros e ninguém nos pode dar aquilo que não damos a nós mesmos e tudo o que nós precisamos existe dentro de nós e no nosso interior.
Nós somos o nosso aconchego durante a noite.
Nós somos a nossa melhor companhia em todos os momentos da nossa vida.
Nós somos a nossa maior paixão e o nosso mais adorado amor.
(Um Tratado Completo de Liberdade – Joma Sipe)