quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Regra fundamental



Quando nós dizemos o bem, ou o mal... há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação. 
No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades. Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem.
A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal.
Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti, parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do gênero por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.
(José Saramago)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Coisas d'alma



Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
(Vinícius de Moraes)

Vamos Chape!



Quando nos deparamos com uma tragédia há uma espécie de despertar.    
Uma dor que não faz parte do nosso coração surge de uma maneira solidária ao sofrimento dos outros. E, num instante, nos reconhecemos na mesma fragilidade,
A tragédia que vitimou a equipe da Chapecoense nos une em sofrimento, solidariedade e orações pelo luto de tantos, possibilitando o fluir da compaixão dentro de nós.
Que haja luz.
(Uti)

Existem certos sofrimentos que só podem ser esquecidos quando podemos flutuar por cima de nossas dores.
(Paulo Coelho)

Pensamentos daqui e dali



Que vale mais
Meu nome de família ou meu Ser?
Que é mais meu:
Minhas posses externas ou meu íntimo Ser?
Que me é mais importante:
Meus lucros ou minhas perdas?
Quem prende seu coração a algo
Está preso.
Quem deseja possuir tesouros
E um pobre possesso.
Quem vive satisfeito
E feliz com os satisfeitos
Quem respeita os seus limites
Não corre perigo.
Isto gera verdadeira serenidade
De dentro vem o que por fora se revela.
(Lao Tse)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Luz da semana



Nunca acredite em ninguém que diz que não podemos mudar.
A visão é um dos segredos da transformação pessoal. Somos todos artistas. Nossa mente é o palco da criação e da visão.
Qual é a visão que você tem de si hoje?
Paciente? Descontraído? Positivo? Tenso? Pressionado? O que você prefere?
Então seja criativo! 
A paciência se parece com que? Sinta isso! 
O que você sente quando está usando o seu poder de esperar? 
Sempre comece com uma visão, não com uma ação. Veja isso e você será isso. Seja isso e você fará isso.
É assim que criamos nossa própria vida.
(Mike George)

sábado, 26 de novembro de 2016

Porque hoje é sábado



A lição de conviver,
senão de sobreviver
no mundo feroz dos homens,
me ensina que não convém
permitir que o tempo injusto
e a vida iníqua me impeçam
de dormir tranquilamente.
Pois sucede que não durmo.
Frente à verdade ferida
pelos guardiães da injustiça,
ao escárnio da opulência
e o poderio dourado
cujo esplendor se alimenta
da fome dos humilhados,
o melhor é acostumar-se,
o mundo foi sempre assim.
Contudo, não me acostumo.
A lição persiste sábia:
convém cabeça, cuidado,
que as engrenagens esmagam
o sonho que não se submete.
E que a razão prevaleça
vigilante e não conceda
espaços para a emoção.
Perante a vida ofendida
não vale a indignação.
Complexas são as causas
do desamparo do povo.
Mas não aprendo a lição.
Concedo que me comovo.

(Thiago de Mello)

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O que sabemos?



O que sabemos não é nada comparado com o que nos sentimos impelidos a fazer movidos pela bondade do nosso coração. A sabedoria não se pode transmitir. 
E, no momento da verdade, não abandonamos nós a sabedoria e não a substituímos pelo amor?

(Henry Miller)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Palavras



Alguns dos melhores momentos da vida a gente experimenta de olhos fechados, tudo o que acontece dá para imaginar…
Tudo o que se imagina, pode acontecer.

(Cecília Meireles)

Contando um conto



Era uma vez um jovem que visitou um grande sábio para lhe perguntar como se deveria viver para adquirir a sabedoria.
O ancião, ao invés de responder, propôs um desafio:
- Encha uma colher de azeite e percorra todos os cantos deste lugar, mas não deixe derramar uma gota sequer.
Após ter concordado, o jovem saiu com a colher na mão, andando a passos pequenos, olhando fixamente para ela e segurando-a com muita firmeza. Ao voltar, orgulhoso por ter conseguido cumprir a tarefa, mostrou a colher ao ancião, que perguntou:
- Você viu as belíssimas árvores que havia no caminho? Sentiu o aroma das maravilhosas flores do jardim? Escutou o canto dos pássaros?
Sem entender muito o porquê disso tudo, o jovem respondeu que não e o ancião disse:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo apenas para cumprir suas obrigações sem usufruir das maravilhas do mundo. Assim nunca será sábio.
Em seguida, pediu para o jovem repetir a tarefa, mas desta vez observando tudo pelo caminho. E lá foi o rapaz com a colher na mão, olhando e se encantando com tudo. Esqueceu da colher e passou a observar as árvores, cheirar as flores e ouvir os pássaros. Ao voltar, o ancião perguntou se ele viu tudo e o jovem extasiado disse que sim. O velho sábio pediu para ver a colher e o jovem percebeu que tinha derramado todo o conteúdo pelo caminho.
Disse-lhe o ancião:
- Assim você nunca encontrará sabedoria na vida; vivendo para as alegrias do mundo sem cumprir suas obrigações. Assim nunca será sábio.
Para alcançar a sabedoria terá que cumprir suas obrigações sem perder a alegria de viver.
Somente assim conhecerá a verdadeira sabedoria.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Viver, apesar de



Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. 
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se.
(Lya Luft)

Entre aspas



Era uma vez, quando as mulheres eram os pássaros, havia o simples entendimento de que cantar ao amanhecer e ao pôr-do-sol era para curar o mundo através da alegria. 
As aves ainda se lembram o que nós esquecemos, que o mundo é feito para ser comemorado.
(Terry Tempest Williams)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Coisas d'alma



Eu só ando por dentro de mim.
Se fui em outro lugar foi pra me ver.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.
Ando mais por dentro de mim do que na estrada.
Passarinhos existem para dar movimento ao entardecer.
Eu me recolho no abandono para ser livre.
(Manoel de Barros)

Luz da semana



A compaixão não é uma teoria. É um sentimento, uma experiência. Não é algo que possa ser adquirido nem é criada por qualquer processo bioquímico. A compaixão brota de forma imediata no momento em que nos deparamos diretamente com o sofrimento e percebemos a sina dos seres que, quase sempre, reagem de uma forma que apenas intensificará a sua trágica condição.
Uma qualidade natural, um aspecto de nossa verdadeira natureza, a compaixão está adormecida em nós e precisa ser despertada. Esse despertar é doloroso, pois nos obriga a contemplar a fundo o sofrimento de incontáveis seres. 
Sem entender o seu infortúnio, não podemos sentir compaixão. Mas, uma vez que tenhamos realmente compreendido o sofrimento, a compaixão começa a brotar sem que possamos impedi-la de fluir.
Por enquanto, a nossa compaixão é tendenciosa e restrita. Pensamos que algumas pessoas a merecem, outras não. A compaixão que sentimos pela família e pelos amigos, por exemplo, baseia-se em nosso apego por eles. Mas todos, por mais desorientados que estejam, merecem a nossa compaixão, e temos de expandi-la até que ultrapasse os limites do apego para abarcar a todos os seres, o tempo todo.
(Chagdud Tulku Rinpoche)

sábado, 19 de novembro de 2016

Porque hoje é sábado



Eu lhe mandei um convite,
a nota inscrita na palma da minha mão pela chama da vida.
Não dê um salto gritando: Sim, é isso o que eu quero! Vamos em frente!
Apenas se levante em silêncio e dance comigo.
Mostre-me como você segue seus desejos mais profundos,
descendo em espiral em direção à dor dentro da dor,
e lhe mostrarei como eu me volto para dentro e me
abro para fora
para sentir o beijo do mistério, doces lábios sobre
os meus, todos os dias.
Não me diga que você quer encerrar o mundo inteiro
no seu coração.
Mostre-me como você evita cometer outra falta sem
se desesperar quando sofre uma agressão e tem medo de
não receber amor.
Conte-me uma história sobre quem você é,
e veja quem eu sou nas histórias que eu estou vivendo.
E juntos nos lembraremos que cada um de nós sempre
tem uma escolha.
Não me diga que as coisas serão maravilhosas... um dia.
Mostre-me que você é capaz de correr o risco de ficar
completamente em paz,
totalmente à vontade com a maneira como as coisas são
neste exato momento,
e também no momento seguinte, e no seguinte...
Já ouvi histórias demais sobre a audácia heróica.
Conte-me como você demonstra quando
esbarra no muro,
o lugar que você não pode transpor pela força
da sua vontade.
O que conduz você para o lado de dentro desse muro,
para a frágil beleza da sua condição humana?
E depois de mostrarmos um ao outro como definimos e
mantivemos os limites claros e saudáveis que nos
ajudam a viver lado a lado um com o outro,
vamos correr o risco de lembrar que nunca deixamos de
amar em silêncio aqueles que um dia amamos
em voz alta.
Leve-me para os lugares do planeta que ensinam
você a dançar,
os lugares que você pode correr o risco de
deixar o mundo partir seu coração,
e eu conduzirei você aos lugares onde a terra debaixo
dos meus pés
e as estrelas no céu fazem meu coração ficar inteiro
de novo, e de novo.
Mostre-me como você cuida dos negócios
sem deixar que eles determinem quem você é.
Quando as crianças estão alimentadas mas as vozes
internas e externas
gritam os desejos da alma têm um preço alto demais,
vamos lembrar um ao outro que o que importa
não é o dinheiro.
Mostre-me como você oferece ao seu povo e ao mundo
as histórias e as canções que você quer que os filhos de
nossos filhos recordem,
e eu revelarei a você como eu me empenho,
não para mudar o mundo, mas para amá-lo.
Sente-se do meu lado e compartilhe comigo longos
momentos de solidão,
conhecendo tanto a nossa solitude quanto o nosso inegável pertencer.
Dance comigo no silêncio e no som das pequenas
palavras cotidianas,
sem que eu me responsabilize no fim do dia
por nenhum de nós dois.
E quando o som de todas as declarações das
nossas mais sinceras
intenções tiver desaparecido no vento,
dance comigo na pausa infinita antes da grande
inalação seguinte de alento que nos sopra a
todos na existência,
sem encher o vazio a partir de dentro ou de fora.
Não diga sim!.

(Oriah Mountain Dreamer)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O tempo, a vida



Compreender o mundo exige que se mantenha uma certa distância dele. 
Ampliamos coisas que são demasiado pequenas para serem vistas a olho nu, como moléculas e átomos. Reduzimos coisas que são demasiado grandes, como nuvens, deltas e constelações. Só fixamos o mundo quando o temos ao alcance dos nossos sentidos. A essa fixação chamamos conhecimento. 
Durante a nossa infância e juventude lutamos para manter a distância correta das coisas e dos fenômenos. Lemos, aprendemos, experimentamos, corrigimos. 
Então, um dia, chegamos ao ponto em que todas as distâncias necessárias foram determinadas, todos os sistemas foram estabelecidos. É aí que o tempo começa a acelerar. Já não encontra qualquer obstáculo, está tudo determinado, o tempo passa rapidamente pelas nossas vidas, os dias sucedem-se num piscar de olhos, e, antes que nos apercebamos do que está acontecer, temos quarenta, cinquenta, sessenta anos...

(Karl Ove knausgård)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Pensamentos daqui e dali



A lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta.
A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. É no vazio da jarra que se colocam flores.
E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas!
Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio.
E é no vazio da distância que vive a saudade.
(Rubem Alves)

Contando um conto



Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. O que começou com um pequeno mal-entendido, explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio.
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta.
Estou procurando trabalho. Sou carpinteiro. Talvez você tenha algum serviço para mim.
Sim, disse o fazendeiro. Claro! Vê aquela fazenda ali, além do riacho? É do meu irmão mais novo.
Nós brigamos e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta.
Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro. Mostre-me onde estão a pá e os pregos.
O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade.
O homem ficou ali, trabalhando o dia inteiro. Quando o fazendeiro chegou, não acreditou no que viu: em vez da cerca, uma ponte foi construída ligando as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido:
Você foi atrevido construindo essa ponte depois de tudo que lhe contei.
Mas, ao olhar novamente para a ponte viu o seu irmão se aproximando de braços abertos. Mas permaneceu imóvel do seu lado do rio.
O irmão mais novo então falou:
Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse.
De repente, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se no meio da ponte.
O carpinteiro começou a fechar a sua caixa de ferramentas.
Espere, fique conosco! Tenho outros trabalhos para você! E o carpinteiro respondeu: Eu adoraria, mas tenho outras pontes a construir...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Coisas d'alma



A esperança, só a esperança, nada mais. Chega-se a um ponto em que não há mais nada senão ela, é então que descobrimos que ainda temos tudo.
(José Saramago)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Rótulos, aparências



É preciso tomar cuidado com os rótulos
e as aparências, 
pois há muitas mulheres
mais valentes que homens,
homens mais sensíveis que crianças,
crianças mais sofridas que idosos,
idosos mais rápidos que jovens
e jovens mais sábios que idosos.
Há graduados que dão aula de ignorância
e analfabetos ensinando a vida.
E assim segue a estrada...
ler o rótulo de um vinho
nunca será igual a sentir seu gosto.
(autoria desconhecida)

sábado, 12 de novembro de 2016

Porque hoje é sábado



No final saberás:
o que se ama não regressa.
O que se vive
não começa.
E o sonho
nunca tem pressa.
(Mia Couto)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Entre aspas



Minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar.
(Fabrício Carpinejar)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Contando um conto



Alguns ratos, que viviam apavorados, alvoroçados com a frequente presença de um gato, resolveram fazer uma reunião para encontrar um jeito de acabar com aquele eterno transtorno.
Muitos planos foram discutidos e abandonados.
No fim um rato jovem levantou-se e deu a ideia de pendurar uma sineta no pescoço do gato; assim, sempre que o gato chegasse perto eles ouviriam a sineta e poderiam
fugir correndo.
Todo mundo bateu palmas: o problema estava resolvido.
Vendo aquilo, um rato velho que tinha ficado o tempo todo calado levantou-se de
seu canto e deu seu parecer:
- O plano de vocês é muito inteligente, muito audacioso e com toda certeza
as preocupações quase chegaram ao fim.
Só falta um pequenino detalhe:
Quem vai pendurar a sineta no pescoço do gato?