Mostrando postagens com marcador Krishnamurti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Krishnamurti. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Palavras







Mata o mal em ti...
assim o mal do mundo
não pode mais te agredir.
(Krishnamurti)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Contando um conto



Era um lindo jardim, com gramados em vários níveis e velhas arvores frondosas. A casa era grande, com cômodos espaçosos, arejada e bem dividida. As arvores abrigavam muitos passarinhos e esquilos, e vinham pássaros de todos os tamanhos à fonte, às vezes águias, mas principalmente corvos, pardais e barulhentos papagaios. A casa e o jardim eram isolados, ainda mais que estavam cercados por altos muros brancos. Era agradável do lado de dentro desses muros, e do outro lado havia o barulho da estrada da aldeia. A estrada passava pelos portões e a alguns metros dela situava-se a aldeia, nos arredores de uma grande cidade. A aldeia era suja, com valões abertos ao longo da estreita rua principal. As casas tinham teto de sapê, os degraus da entrada estavam enfeitados e crianças brincavam na rua. Alguns tecelões esticaram longos cordões de fios de cores alegres para fazer tecidos, e um grupo de crianças os observava trabalhar. Era uma cena alegre, animada, barulhenta e repleta de odores. Os aldeões tinham acabado de se lavar e usavam pouca roupa, pois o clima era quente. Ao cair da noite alguns deles ficaram bêbados e tornaram-se vulgares e grosseiros.
Era apenas um muro estreito que separava o lindo jardim da agitada aldeia. Rejeitar a feiura e agarrar-se à beleza é ser insensível. Cultivar o oposto sempre estreita a mente e tolhe o coração. A virtude não é um oposto; e se tiver um oposto, deixa de ser virtude. Perceber a beleza daquela aldeia é ser sensível ao jardim verde e florido. Queremos estar atento somente à beleza e nos desligamos daquilo que não é belo. Essa repressão simplesmente dá origem à insensibilidade, pois ela não realiza a apreciação da beleza. O bom não está no jardim, longe da aldeia, mas na sensibilidade que se encontra além de ambos. Rejeitar ou se identificar leva à imitação, que é ser insensível. A sensibilidade não é uma coisa para ser cuidadosamente nutrida pela mente, que só consegue dividir e dominar. Existe o bem e o mal; mas buscar um e evitar o outro não levar aquela sensibilidade que é essencial para a existência da realidade.
A realidade não é o oposto da ilusão, do falso, e se você tentar abordá-la como um oposto, ela jamais tomará forma.  A realidade só pode ser quando os opostos cessam. Condenar ou se identificar gera o conflito dos opostos, e conflito só produz mais conflito. Um fato abordado não-emocionalmente, sem rejeição ou justificação, não causa conflito. O fato em si mesmo não tem oposto; ele só tem um oposto quando existe uma atitude prazerosa ou defensiva. É essa atitude que constrói os muros da insensibilidade e destrói a ação. Se preferirmos permanecer no jardim, existirá uma resistência à aldeia; e onde há resistência  não pode haver ação, tanto no jardim quanto em relação à aldeia. Pode haver atividade, mas não ação. A atividade é baseada em uma ideia e a ação não o é. As ideias têm opostos e a movimentação entre os opostos é simples atividade, por mais prolongada ou modificada que seja. A atividade jamais pode ser libertadora. 
A atividade tem um passado e um futuro, mas a ação não tem. A ação está sempre no presente, e é portanto imediata. A reforma é atividade, não ação, e o que é reformado precisa de mais reforma. A reforma é inação, uma atividade nascida como um oposto. A ação é de momento para momento e, por estranho que pareça, ela não tem contradição inerente; mas a atividade, embora possa dar impressão de não ter intervalos, está cheia de contradições. A atividade da revolução é decifrada com contradições e, portanto, jamais pode libertar. Conflitos e escolhas jamais podem ser um fator libertador. Se há escolha, existe atividade e não ação; pois a escolha está baseada na ideia. A mente pode entregar-se a atividades, mas ela não pode agir. A ação surge de uma fonte bastante diferente.
A lua surgiu sobre a aldeia, criando sombras no jardim.
 (Krishnamurti)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Palavras





Quando vertes tua energia para auxiliar, tem de haver um resultado, quer possas vê-lo, quer não; se conheces a Lei sabes que deve ser assim.
Portanto, deves agir certo por amor ao certo, não pela esperança de recompensa; deves trabalhar por amor ao trabalho, não pela esperança de ver o resultado; deves entregar-te ao serviço do mundo porque o amas e porque não podes deixar de entregar-te a ele.
(Krishnamurti)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Luz da semana



A felicidade é algo estranho; ela vem quando você não está em busca dela. 
Quando você não está fazendo um esforço para ser feliz, então inesperadamente, misteriosamente, a felicidade acontece ali, nascida da pureza, de uma simples beleza de ser.
(Krishnamurti)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A eternidade é agora



Enquanto o mundo desaba ao redor de nós, estamos discutindo teorias e vãs questões políticas, e entretemo-nos com reformas superficiais. 
Não indicará esta atitude absoluta falta de compreensão da nossa parte? Alguns dirão que sim, mas continuarão a fazer exatamente a mesma coisa que sempre fizeram – essa é a tristeza da vida. 
Quando ouvimos uma verdade e não agimos logo, ela se transforma em veneno dentro de nós, e este veneno se espalha, gerando perturbações psicológicas, desequilíbrio e doença. Apenas ao despertar no indivíduo a inteligência criadora, existe a possibilidade de uma vida de paz e felicidade real.
Não podemos tornar-nos inteligentes apenas substituindo um governo por outro, um partido ou classe por outra, um explorador por outro. A revolução cruenta nunca resolverá nossos problemas. Só uma profunda revolução interior, que altere todos os nossos valores, pode criar um ambiente diferente, uma estrutura social inteligente; e uma revolução deste gênero só pode ser realizada por vós e por mim. Nenhuma ordem nova surgirá enquanto, individualmente, não derrubarmos nossas barreiras psicológicas e nos tornarmos livres.
Podemos traçar sobre o papel os planos de uma brilhante utopia individual ou coletiva, de um valoroso mundo novo, vida nova; mas o sacrifício do presente a um futuro desconhecido não resolverá, por certo, nenhum dos nossos problemas. São tantos os elementos que intervem entre o agora e o futuro, que ninguém pode prever como ele será.
O que podemos e devemos fazer, se estamos interessados em nossas vidas, é atirar-nos imediatamente aos nossos problemas e não adiá-los para o porvir. 
A eternidade não está no futuro; a eternidade é agora. Nossos problemas estão no presente e só no presente podem ter solução.
Se temos verdadeiro interesse, devemos regenerar-nos; mas só haverá regeneração quando nos libertarmos dos valores que criamos com os nossos desejos agressivos de autoproteção. O autoconhecimento é o começo da liberdade, e só quando nos conhecermos a nós mesmos faremos nascer a ordem e a paz.
Aqui, perguntarão alguns: “Que pode fazer um só indivíduo, de efeito, na história? Pode realizar alguma coisa importante com sua maneira de viver?” 
Pode, indubitavelmente. 
Vós e eu não podemos, é verdade, sustar as guerras imediatas ou criar uma instantânea compreensão entre grupos, movimentos, nações; mas podemos suscitar, no mundo de nossas relações diárias, uma básica e efetiva transformação.
O esclarecimento individual pode de fato influir em grandes coletividades, desde que o indivíduo não esteja ansioso pelos resultados. Quando só pensamos em ganhos e resultados, a verdadeira transformação é impossível.
Os problemas humanos não são simples, mas extremamente complexos. Para compreendê-los é preciso paciência e discernimento, e é de suma importância que nós, como indivíduos, os resolvamos por nós mesmos. Eles não podem ser compreendidos com o auxílio de fórmulas cômodas ou de slogans; nem tampouco ser resolvidos nos seus respectivos níveis especialistas, os quais, seguindo sempre determinada linha de ação, criarão por certo mais confusão e misérias.
Nossos inúmeros problemas só serão compreendidos e solucionados,quando estivermos conscios de nós mesmos como um processo total, isto é, ao compreendermos toda a nossa estrutura psíquica; nenhum guia político, religioso pode dar-nos a chave dessa compreensão.

(Krishnamurti)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Onde está a simplicidade?



É sempre difícil manter-me simples e claro. 
O mundo adora o sucesso, quanto maior, melhor; quanto maior a audiência, maior o orador; os edifícios colossais, os carros, os aviões, e as pessoas. 
A simplicidade se perdeu. 
As pessoas de sucesso não são as que estão construindo um mundo novo. Ser um revolucionário real requer uma mudança completa de coração e mente, e tão poucos querem se libertar. A pessoa corta as raízes superficiais; mas para cortar as profundas raízes que alimentam a mediocridade, o sucesso, é preciso algo mais que palavras, métodos, compulsões. 
Parece que esses revolucionários são poucos, mas eles são os construtores reais - o resto trabalha em vão.
(Krishnamurti)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Luz da semana




(Foto: no dia 21 de setembro de 2015, na Tailândia, um milhão de crianças se reuniram com um único objetivo: meditar pela Paz Mundial)


Você é o mundo, você não está separado do mundo. 
Você não é americano, russo, hindu ou muçulmano. Você está alheio a esses rótulos e palavras, você é o resto da humanidade porque sua consciência, suas relações, são semelhantes às dos outros. Você pode falar uma língua diferente, ter costumes diferentes, isso é cultura superficial – aparentemente todas as culturas são superficiais – mas a sua consciência, suas reações, sua fé, suas crenças, suas ideologias, seus medos, ansiedades, solidão, tristezas e prazeres, são semelhantes ao resto da humanidade. 
Se você mudar, isso afetará toda a humanidade.

(Krishnamurti)