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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Contando um conto



Há uma parábola chinesa que diz:
Dois homens caminham por uma estrada em sentido contrário, cada um traz consigo um pão. Em determinado ponto os dois se encontram e trocam os pães… Depois, cada um segue, levando um pão.
Em outra estrada, dois homens também caminham em sentido contrário, e cada um deles traz consigo uma ideia. Em determinado ponto eles se encontram e trocam as ideias… Depois, cada um segue seu caminho, levando agora duas ideias.
É assim: quando trocamos bens materiais, não acrescentamos muito ao nosso patrimônio, mas quando trocamos experiências, transformamos nossa mente numa ferramenta fecunda, capaz de proporcionar-nos mais sabedoria, um patrimônio intangível.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Contando um conto



Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar o fundamento zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
 Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
 Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
 No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.
 Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
 – Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
– A quem tentou entregá-lo - respondeu um dos discípulos.
– O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo.
 A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Pensamentos daqui e dali



Um homem viajava com um de seus discípulos que estava encarregado de cuidar do camelo. À noite, cansado, o discípulo não amarrou o camelo, fez uma prece pedindo a Deus que cuidasse do animal e adormeceu. 
Pela manhã o camelo havia desaparecido. Arguido pelo mestre do paradeiro do camelo o discípulo disse ter seguido suas recomendações, confiando em Deus ao delegar a Ele a guarda do animal. 
O mestre, então, respondeu:
- Confie em Deus, mas amarre seu camelo. Deus não tem outras mãos além das suas.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Tratando com igualdade



Numa bela manhã, um aluno, muito devotado, praticava com seu mestre, tentando evoluir na antiga arte de manejar espadas. Apesar de sua sinceridade e esforço, estava obtendo poucos resultados.
Desanimado foi até o instrutor e desabafou:
Mestre, apesar de dedicar todo meu tempo e colocar meu coração na prática eu pouco aprendo. Meu coração está cheio de tristeza!
O renomado faixa preta, após ouvir serenamente o desabafo, calmamente respondeu:
Você leva tudo muito a sério, precisa relaxar e não se esforçar tanto. Saia com seus amigos!
Nisso, outro aluno chega atrasado, como de costume, bocejando e fazendo ruídos. O sensei lhe disse:
Você não leva nada a sério, é um relaxado, precisa se esforçar mais e parar de sair com estes seus amigos!
O jovem discípulo retrucou:
Eu estou decepcionado, pensei que o senhor tratasse seus alunos da mesma forma. Tudo que o senhor acabou de dizer a ele é totalmente contrário do que disse para mim...
Virando as costas, o sensei finalizou:
Pra ficar igual eu trato diferente!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Se realmente me amas



Vinte monges e uma monja, cujo nome era Eshun, estavam praticando meditação com um certo Mestre Zen. Eshun era muito bonita. Embora a sua cabeça estivesse rapada e a sua roupa fosse simples, vários monges apaixonaram-se secretamente por ela. Um deles escreveu-lhe uma carta de amor, insistindo num encontro secreto. Eshun não respondeu. 
No dia seguinte, o mestre deu uma palestra para o grupo, e quando a palestra terminou Eshun levantou-se. 
Dirigindo-se àquele que lhe tinha escrito, ela disse: “Se realmente me amas, vem e dá-me um abraço agora.”
(Conto zen)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Uma promessa esquecida



Quando começou a escurecer, um vento frio e cortante começou a soprar nas encostas. Juntamente com as frias rajadas, vinham nevascas e cortantes cristais de gelo. Já não se via mais o quente sol da tarde e as encostas das montanhas estavam escuras e geladas, na verdade, perigosas.
Perdidas no ruído do vento uivante, duas pequenas vozes se ouviam :
 "P... P... P... Puxa, está realmente frio h... hoje! "
 "Se ficar mais frio podemos até morrer. Podemos morrer congelados neste mesmo lugar!
 Sinto que minhas unhas estão congeladas nos meus pés. Se tivéssemos feito um ninho, à tarde, em vez de brincar o dia todo ... Oh ! está tão f ... frio!!!"
Essas vozes eram de dois passarinhos que, como duas bolas de penugem, aconchegavam-se no galho de uma velha árvore curtida pelo tempo, no alto da cordilheira do Himalaia.
Na altitude em que viviam, a neve dificilmente deixava a terra, mesmo em pleno verão. E durante o dia, quando o sol aparecia, esquentava tão pouco que quase não se percebia. Esse era o problema deles. Eles juravam fazer um ninho para afastar o terrível frio da noite, mas esqueciam as promessas durante o dia e esvoaçavam à procura de comida, cochilavam um pouco e brincavam sob a luz e o calor do sol. Agora, estavam amargamente arrependidos da tolice que fizeram.
 "A ... Acho que v ... vamos morrer desta vez. O f ... frio é demais. Vamos m ... morrer ..."
 "Quando o sol vier, vamos fazer um ninho. Está Bem ? D ... Desta vez não vamos esquecer, p ... pela nossa vida. "
Na realidade, era tão grande o frio naquela noite, que eles não conseguiram nem dormir. Durante a noite toda, choraram e se queixaram, prometendo fazer um ninho logo que o sol nascesse. A noite parecia durar séculos e séculos, enquanto o frio penetrava em seus ossos.
Não faltava muito para darem o último suspiro. Suas vozes enfraqueceram e os corpos caíram, ficando dependurados pelos pés que se congelaram no galho.
 "Oh! ... Estamos ... m ... morrendo ! "
 "Logo ... que ... o ... s ... sol ... ... "
Exatamente quando parecia tarde demais, um raio dourado refletiu-se na face congelada de um penhasco e atingiu uma agulha de gelo dependurada do bico do pássaro macho. O cortante frio deve ter feito seus olhos lacrimejarem e congelado a lágrima antes que pudesse cair.
No começo não se mexeu, mas depois abriu lentamente os olhos para uma última visão neste mundo. Quando avistou o feixe dourado da luz do sol, gritou repentinamente e sacudiu-se para tirar o gelo preso nas penas.
 "É o sol ! Acorde ! É o sol ! ... "
"É verdade ? Então não vamos morrer ! "
 "Oh ! Como é maravilhoso sentir a vida ! "
Seguramente, o sol subiu aos poucos pelos picos gelados das montanhas e lentamente os dois pássaros começaram a sentir o calor aquecer suas penas congeladas.
 "Ah ! ... O sol está tão bom. Acho que vou dormir um pouco. Não conseguimos dormir a noite inteira. "
 "Mas, ... e o ninho ? Conseguiremos terminá-lo se dormirmos ? "
 "Não se preocupe com isso. Teremos muito tempo depois de dormirmos e comermos um pouco. "
Assim, eles dormiram e comeram, apreciando o calor do dia. Voando pelos céus, o pássaro macho cantava :
"No conforto dos céus,
nas minhas asas e canção
Quando se cansar
pode sempre repousar
A vida é tão curta
e o dia é longo
Quem precisa ter pressa
para fazer o ninho ? "
Eles continuaram a brincar por várias horas até perceberem que estava começando a ficar frio. Eles olharam para o sol e perceberam horrorizados que ele estava começando a se pôr no oeste. Perceberam repentinamente que não havia mais tempo para construir o ninho antes de escurecer. Com olhares preocupados, desceram do céu e pousaram num galho. Depois de uma pausa, o pássaro olhou para a esposa e disse com um sorriso disfarçado :
 "Bem, o sol está baixando e, mesmo que comecemos, não há tempo para terminar o ninho. Vamos aproveitar o resto do sol. "
Assim, eles esbanjaram o resto do dia. Não demorou muito para ficar frio outra vez.
 "P ... P ... P ... Puxa, está realmente frio h ... hoje ... ! "
 "Está ainda mais f ... frio que ontem ! "
 "Se esfriar mais não v ... vamos v ... viver até amanhã. Oh ! ... está tão f ... frio ! "
E assim, caros amigos, os dois pássaros viveram o resto de suas vidas, desperdiçando totalmente os dias e sofrendo durante as noites.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

O aperfeiçoamento pessoal



Um praticante certa vez perguntou a um mestre Zen, que ele considerava muito sábio:
Quais são os tipos de pessoas que necessitam de aperfeiçoamento pessoal?
Pessoas como eu. Comentou o mestre.
O praticante ficou algo espantado:
Um mestre como o senhor precisa de aperfeiçoamento?
O aperfeiçoamento, respondeu o sábio, nada mais é do que vestir-se, ou alimentar-se...
Mas, replicou o praticante, fazemos isso sempre! Imaginava que o aperfeiçoamento significasse algo mais profundo para um mestre.
O que achas que faço todos os dias? Retrucou o mestre.
A cada dia, buscando o aperfeiçoamento, faço com cuidado e honestidade os atos comuns do cotidiano. Nada é mais profundo do que isso.

(Sabedoria oriental)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Atenção, atenção!



Há uma antiga história zen: um discípulo disse para o Mestre Ichu: “Por favor, me escreva algo de grande sabedoria”. Mestre Ichu pegou seu pincel e escreveu uma palavra: “Atenção”. O estudante disse: “Isso é tudo?”. O mestre escreveu: “Atenção, atenção”.
Por “atenção” nós podemos usar a expressão “estado desperto”. Atenção ou estado desperto é o segredo da vida, ou o coração da prática.
Cada momento da vida é absoluto em si mesmo. É tudo que existe. Não há nada além do presente momento; não há passado, não há futuro; não há nada além disto. Então quando não prestamos atenção a “isto”, perdemos todo o quadro. E o conteúdo “disto” pode ser qualquer coisa.
“Isto” pode ser: ajustar nossas almofadas de meditação, cortar uma cebola, visitar alguém que não gostaríamos de visitar. Não importa o conteúdo do momento, cada momento é absoluto. É tudo que existe e tudo que existirá para sempre. Se pudéssemos prestar atenção total, nunca nos irritaríamos. Se estamos irritados, é axiomático que não estamos prestando atenção. 
Se perdemos não apenas um momento, mas um momento depois do outro, então estamos com problemas.
(Charlotte Joko Beck)