terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Entre aspas






Às vezes precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que está esperando por nós.
(Joseph Campbell)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Palavras



Tudo o que se passa a nossa volta, é em nós que se passa. 
Tudo que cessa no que vemos, é em nós que cessa.
(Fernando Pessoa)

Luz da semana



Onde vive Deus?
Existe algum lugar onde eu posso ir vê-lo, estar com ele?
Ele vive em um mundo além dos cinco elementos, mas isso não significa que Ele está a milhões de anos-luz de distância. Eu posso me conectar com ele com a minha mente onde quer que esteja. Assim como um número de telefone discado corretamente conecta-me a uma pessoa, eu posso alcançá-lo com um pensamento. 
Ele está apenas a um pensamento de mim.
Nesta região de absoluta quietude, silêncio e pureza, Deus permanece estável, constante e imutável, enquanto o universo muda ao seu redor.
(Brahma Kumaris)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Pensamentos daqui e dali



Eu não sabia o que na madureza aprenderia:
que todas as coisas quando acabam são substituídas por outras,
que a vida não se reduz, mas cresce.
E é em tudo um milagre.
(Lya Luft)

Isto e aquilo



Uma alma nunca é pequena quando olha além de si.
Um coração nunca é duro, quando guarda carinho ao invés de rancor.
Uma mente nunca é pobre quando insiste em acreditar, que os dias serão melhores.
Que somos mais fortes a cada dia.
E, mesmo de mãos vazias, temos o poder de acarinhar.
E mesmo em um lar humilde, temos prazer de voltar pra casa.
E mesmo com amigos distantes, sabemos que estão conosco em pensamentos.
E mesmo quando um amor que se vai, nos deixa a certeza de que temos coração.
Pois tudo nesta vida é lição, é escada que nos leva acima ou abaixo, afinal, a escolha é nossa.
Cada minuto é grandioso, pois, não se repetirá jamais, portanto, amadurecer não é envelhecer e sim, descobrir que fazemos o nosso tempo, que é agora, pois o amanhã é mistério e o ontem se tornou lembrança.
(Desconheço autoria)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Contando um conto



Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o idoso não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas. 
Como alguém passa toda a vida e termina só com isso?, pensou o advogado. 
Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos sobre um criado mudo.
Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve no canto superior da imagem lia-se sul da Tailândia. Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor, em diversos momentos da vida, em fotos em todo canto do mundo.
Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras. Na última página do álbum um mapa, quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. 
Escrito à mão no meio do Oceano Pacífico uma pequena poesia:
Não construí nada que me possam roubar.
Não há nada que eu possa perder.
Nada que eu possa tocar,
Nada que se possa vender.
Eu que decidi viajar,
Eu que escolhi conhecer,
Nada tenho a deixar
Porque aprendi a viver.
Abraço!
(Pedro Schmaus)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Coisas d'alma



Há pensamentos que são orações.
Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos.

(Victor Hugo)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Coisas d'alma




Sou uma criatura antiga, provavelmente.
Guardo os que amo dentro da minha alma e por eles me torno gigante.
Não há jeito mais sincero de demonstrar que o cuidado com as pessoas queridas é o melhor apoio e que com ele dá pra construir uma fortaleza e permitir abertura para bênçãos maiores. É uma prece poderosa que não precisa de palavras.
É nessa  frequência que me movo, é nessa luz que me guio.
Espero, confio, agradeço.
(Uti)

Luz da semana



Os obstáculos que surgem não são para prejudicá-lo, eles vem apenas para se despedir de você. Deixe-os vir e ir mas não deixe que os obstáculos sentem-se com você como seus convidados. 
Agora faça esse esforço: deixe que os obstáculos simplesmente venham e vão embora. Se você permitir que eles sejam seus convidados de novo e de novo, então isso tornar-se um hábito. Eles se sentiriam em casa com você. 
Portanto, deixe-os vir e deixe-os ir. Não tenha misericórdia deles.
(Brahma Kumaris)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Porque hoje é sábado



Porque hoje é sábado,
porque é 18 de fevereiro,
porque é dia de reverenciar a memória daquele que
foi o pai,
o mestre,
o pacificador,
o generoso,
o protetor,
o exemplo,
o amigo.
Porque é dia de lembranças
de tantos dias lindos,
agora findos.
Por isso, hoje não há poema,
nem palavras.
Somente saudade.
(Uti)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Apego



Mesmo se você odiar alguém ou algo com paixão, isso é apego.
Você voltará a esta terra, ou a um outro planeta semelhante à Terra, de novo, e de novo, e de novo, e você irá encontrar esta pessoa que você odeia tanto em circunstâncias diferentes, e novamente, e novamente.
Numa vez ela pode ser a sua filha, ela pode ser sua mãe, ela pode ser o seu marido, ela pode ser a sua esposa. Mas essa pessoa que você despreza tanto irá encontrar você de novo, e de novo, e irá fazer coisas a você, a fim de incomodá-lo. E você irá odiar novamente, e novamente.
Você nunca será livre até que você compreenda.
A compreensão é virar para dentro, esquecer-se da pessoa, mas ver a sua própria realidade, rastrear o pensamento-eu até a fonte. Afinal, é o pensamento-eu que odeia e ama, que tem apego à pessoa, lugar ou coisa.
Quando o pensamento-eu é transcendido, somente o Ser permanece.
 (Robert Adams)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Coisas d'alma



Somos feitos para a felicidade. Para a troca. Para a paz. Para a bondade. Para facilitarmos a existência uns dos outros. Para a coragem e a alegria de simplesmente ser.
(Ana Jácomo)

Contando um conto



Era um lindo jardim, com gramados em vários níveis e velhas arvores frondosas. A casa era grande, com cômodos espaçosos, arejada e bem dividida. As arvores abrigavam muitos passarinhos e esquilos, e vinham pássaros de todos os tamanhos à fonte, às vezes águias, mas principalmente corvos, pardais e barulhentos papagaios. A casa e o jardim eram isolados, ainda mais que estavam cercados por altos muros brancos. Era agradável do lado de dentro desses muros, e do outro lado havia o barulho da estrada da aldeia. A estrada passava pelos portões e a alguns metros dela situava-se a aldeia, nos arredores de uma grande cidade. A aldeia era suja, com valões abertos ao longo da estreita rua principal. As casas tinham teto de sapê, os degraus da entrada estavam enfeitados e crianças brincavam na rua. Alguns tecelões esticaram longos cordões de fios de cores alegres para fazer tecidos, e um grupo de crianças os observava trabalhar. Era uma cena alegre, animada, barulhenta e repleta de odores. Os aldeões tinham acabado de se lavar e usavam pouca roupa, pois o clima era quente. Ao cair da noite alguns deles ficaram bêbados e tornaram-se vulgares e grosseiros.
Era apenas um muro estreito que separava o lindo jardim da agitada aldeia. Rejeitar a feiura e agarrar-se à beleza é ser insensível. Cultivar o oposto sempre estreita a mente e tolhe o coração. A virtude não é um oposto; e se tiver um oposto, deixa de ser virtude. Perceber a beleza daquela aldeia é ser sensível ao jardim verde e florido. Queremos estar atento somente à beleza e nos desligamos daquilo que não é belo. Essa repressão simplesmente dá origem à insensibilidade, pois ela não realiza a apreciação da beleza. O bom não está no jardim, longe da aldeia, mas na sensibilidade que se encontra além de ambos. Rejeitar ou se identificar leva à imitação, que é ser insensível. A sensibilidade não é uma coisa para ser cuidadosamente nutrida pela mente, que só consegue dividir e dominar. Existe o bem e o mal; mas buscar um e evitar o outro não levar aquela sensibilidade que é essencial para a existência da realidade.
A realidade não é o oposto da ilusão, do falso, e se você tentar abordá-la como um oposto, ela jamais tomará forma.  A realidade só pode ser quando os opostos cessam. Condenar ou se identificar gera o conflito dos opostos, e conflito só produz mais conflito. Um fato abordado não-emocionalmente, sem rejeição ou justificação, não causa conflito. O fato em si mesmo não tem oposto; ele só tem um oposto quando existe uma atitude prazerosa ou defensiva. É essa atitude que constrói os muros da insensibilidade e destrói a ação. Se preferirmos permanecer no jardim, existirá uma resistência à aldeia; e onde há resistência  não pode haver ação, tanto no jardim quanto em relação à aldeia. Pode haver atividade, mas não ação. A atividade é baseada em uma ideia e a ação não o é. As ideias têm opostos e a movimentação entre os opostos é simples atividade, por mais prolongada ou modificada que seja. A atividade jamais pode ser libertadora. 
A atividade tem um passado e um futuro, mas a ação não tem. A ação está sempre no presente, e é portanto imediata. A reforma é atividade, não ação, e o que é reformado precisa de mais reforma. A reforma é inação, uma atividade nascida como um oposto. A ação é de momento para momento e, por estranho que pareça, ela não tem contradição inerente; mas a atividade, embora possa dar impressão de não ter intervalos, está cheia de contradições. A atividade da revolução é decifrada com contradições e, portanto, jamais pode libertar. Conflitos e escolhas jamais podem ser um fator libertador. Se há escolha, existe atividade e não ação; pois a escolha está baseada na ideia. A mente pode entregar-se a atividades, mas ela não pode agir. A ação surge de uma fonte bastante diferente.
A lua surgiu sobre a aldeia, criando sombras no jardim.
 (Krishnamurti)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Palavras



De que adianta pedir um sinal ao Universo, ao astral,
ao tarô ou à santa?
Se o próprio coração você não escutar
não haverá altar, truque ou tradição
benza, prece, arruda,
amuleto, sagrado objeto,
que seja de real ajuda,
que oriente por completo, a quem nunca saúda
a vida com fervor e afeto.

(Pedro Tornaghi)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Insignificância



Podemos superar o sentimento de que somos insignificantes não nos tornando mais importantes, mas reconhecendo a insignificância relativa de todos.
Nossa preocupação com quem é alguns milímetros mais alto do que nós pode dar lugar a uma reverência a coisas um milhão de vezes maiores que nós, uma força que podemos ser levados a chamar de infinito, eternidade – ou simplesmente, e talvez de modo mais útil, Deus.
 (Alain de Botton)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Entre aspas





O ego vai te levar longe.
E vai te deixar lá, sozinho.
(Rodrigo Domit)

Luz da semana



Todos nós temos uma parte que não é muito pacífica, onde reside a voz da dúvida e da crítica. A voz que precisa provar a si mesma: Eu estou certo. Tal ego tem uma capacidade incrível de destruir a verdade.
Mas toda vez que eu faço uma escolha pela minha natureza original verdadeira – amorosa e pacífica - eu libero uma energia positiva. Essas vibrações alcançam àqueles que eu preciso alcançar e corrigem qualquer situação sem que eu tenha que fazer nada.
Quando me estabilizo internamente, dou permissão para que tudo ao redor de mim também volte a sua posição original de paz. 
(Gopi Patel)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Porque hoje é sábado



No fim tu hás de ver que as coisas mais leves
são as únicas que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento.

(Mario Quintana)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A verdadeira sensibilidade



Diz-se das pessoas vulneráveis, às quais uma coisinha de nada pode ferir, que elas são sensíveis. 
Não, a verdadeira sensibilidade é uma abertura total ao mundo divino, isto é, à beleza, ao amor, à verdade, e um fecho a tudo o que é negativo e tenebroso. 
A sensibilidade aos vexames, às ofensas, na realidade não passa de susceptibilidade e pieguice. E o que é que resta a todos esses pobres infelizes para quem não existe o Céu, nem os anjos, nem a beleza, mas somente as pessoas más e injustas de quem eles se queixam dia e noite? 
Não se deve confundir a sensibilidade com a pieguice, que não passa de uma manifestação doentia da sensibilidade. 
A verdadeira sensibilidade, pelo contrário, é um grau superior da evolução que põe o homem em relação com as regiões celestes e lhe permite vibrar em uníssono com elas.
(Omraam Mikhael Aivanhov)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Coisas d'alma



Todas as pessoas querem deixar alguns vestígios para a posteridade. Deixar alguma marca. 
É a velha história do livro, do filho e da árvore, o trio que supostamente nos imortaliza. 
Filhos somem no mundo, árvores são cortadas, livros mofam em sebos. 
A única coisa que nos imortaliza - mesmo - é a memória de quem amou a gente.
(Martha Medeiros)

Contando um conto



Acordada ainda no escuro, como se houvesse o sol chegado atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se no tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidados de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbeado, corpo emprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando na sua vida.
Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, por algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
– Uma casa melhor é necessária – disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. -Por que ter casa, se podemos ter palácio? -Perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates de prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal, o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
– É para que ninguém saiba do tapete – disse. E antes de trancar a porta a chave advertiu: – Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça para não fazer barulho, subiu a longa escada do torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou, e espantado olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe o corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
(Marina Colasanti)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Descanse




Não lute mais,
Descanse.
Não dê força para seus inimigos,
Vença-os com o perdão.
Não cultive a impaciência,
Vença-a com a segurança.
Não delapide a paz dos outros,
Coopere com o silêncio.
Não se afaste do seu coração,
Una-se a si mesmo.
Não dê trelas aos problemas,
Vença-os com a luz interior.
Não coopere com as críticas,
Supere-as com seu desprezo.
Não se deixe vitimar,
Assuma sua liberdade de escolha.
O bem é saber
que o único meio de vencer
É usar a inteligência
com compaixão.
Por isso, não lute mais,
Descanse.
(Luiz Gasparetto)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Com fiar



Com o passar dos anos o ser humano vai construindo muros internos que o distancia da sua essência. Vai também edificando uma série de muros externos que o separa dos outros, dando a ilusória sensação de separação de tudo e todos a sua volta. 
Essas fortificações externas dificultam a conexão entre as pessoas. 
Quando começamos a destruir as muralhas internas, vamos encontrando gradativamente mais facilidade em dissolver também as externas. E assim, abrimos mais espaço para a união entre os corações através de um luminoso fio. 
Daí surge o mistério da palavra confiança – sinaliza a presença da conexão estabelecida entre as pessoas através de um fio ‘com fio’. Esse fio conduz ao florescer da transparência, sinceridade dos sentimentos, palavras e atitudes que fortalecem a cada dia esse movimento de fiar (crer, acreditar, ter fé) que é o ‘com fiar’. 
Na mesma força temos a palavra fiador é aquele que ‘fia’, afiança, garante que através de um contrato formal assume o compromisso e responsabilidade no nome de outra pessoa. 
Que na nossa caminhada possamos ter mais confiança em nós mesmos, para estabelecermos e fortalecermos um número cada vez maior de relações estruturadas na confiança, transparência e sinceridade.
(Margarida Ranauro)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Luz da semana



Seja comum, seja simples, seja você quem for. 
Não há necessidade de ser importante, a única necessidade é de ser real. Ser real é existencial. Ser importante é viagem do ego.
(Osho)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Coisas d'alma



Há uma vela em seu coração, pronta para ser acesa.
Há um vazio em sua alma, pronto para ser preenchido.
Você sente isso, não é?
Onde há ruína, há esperança de um tesouro.
(Rumi)

Para aquecer o coração

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Porque hoje é sábado



A vida passa, leve como a fumaça,
sem que possa ao menos compreendê-la.
É um perfume sutil de magnólia,
cintilância indecisa de uma estrela,
um zumbido de vespa que esvoaça
em torno de uma flor ou junto a um fruto.
É como um nome escrito sobre a areia
para viver o espaço de um minuto.
Aceitemo-la com indiferença,
como se olha a fumaça que se evola
ou se aspira o perfume de uma flor;
tal se escreve na areia um nome amado
porque se sente o amor.
Vivamo-la, pois, serenamente,
trazendo sempre a alma contente e alegre o coração,
na certeza de que ela é transitória e que sua glória
é como a glória de uma bolha de sabão.
Não vale sentir tanta amargura, tanta tristeza
e quanta desventura a vida possa nos causar.
O que vale na vida indiferente
é o pouco que o acaso nos concede
nesse inclemente desfiar das horas,
nessa fuga do tempo que nos mata
lentamente...
imperceptivelmente...
imperceptivelmente...
(Alfredo de Cumplido de Sant'Anna)